Dr. Ricardo Locilento: “relaxamento da CNH é um crime contra a saúde pública”

Médico com 28 anos na Medicina do Tráfego critica mudanças e diz que diz que flexibilização forma motoristas despreparados e amplia risco de acidentes

Com 35 anos de atuação na medicina, sendo 28 deles dedicados à Medicina do Tráfego, o médico Ricardo Locilento decidiu tornar público um desabafo que reflete a preocupação de muitos profissionais da área da saúde. Especialista titulado após formação específica, elaboração de TCC, provas rigorosas e análise curricular, além de ter atuado por oito anos como médico resgatista, ele afirma ter plena perícia técnica para avaliar as recentes mudanças nas regras para obtenção e renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Segundo o médico, a Medida Provisória (MP) que flexibilizou o processo representa um perigoso “relaxamento” das exigências. A dispensa de aulas teóricas presenciais e a redução drástica da carga prática — de 20 para apenas 2 aulas, na sua avaliação, tende a formar motoristas mal preparados, aumentando o risco de acidentes nas ruas e estradas brasileiras.

Outro ponto criticado é a renovação automática da CNH, com a exclusão de etapas consideradas essenciais. Para Locilento, essas mudanças não apenas fragilizam a formação do condutor, mas também colocam em risco pedestres e toda a coletividade, ampliando a exposição a tragédias evitáveis.

Os números reforçam o alerta. No Brasil, os acidentes de trânsito são a terceira maior causa de morte, atrás apenas das doenças cardiovasculares e do câncer. Para o médico, a MP do trânsito equivale, no campo da saúde, a eliminar exames como eletrocardiograma, Papanicolau, mamografia ou toque retal, sob o argumento de “agilizar” ou “desburocratizar” o sistema. “Isso é um tiro no pé, um crime contra a saúde pública”, afirma.

Locilento também lembra que o país assumiu um compromisso internacional de reduzir em 50% as mortes no trânsito até 2030 — meta que, segundo ele, dificilmente será cumprida diante das novas regras, assim como ocorre com compromissos ambientais já firmados pelo Brasil.

Em tom crítico, o médico aponta ainda a falta de embasamento técnico na decisão. Para ele, a medida foi assinada sem estudos estatísticos sólidos ou consulta a especialistas médicos, psicólogos e engenheiros, priorizando interesses eleitorais em detrimento do impacto no SUS, no INSS e na vida da população.

“Para alguns, pode parecer vantajoso porque a CNH ficou mais fácil ou mais barata, mas quando alguém perder um amigo ou familiar em um acidente de trânsito, talvez entenda o verdadeiro custo dessa decisão”, alerta o médico.

O texto termina com uma reflexão irônica sobre o futuro próximo: entre festas, Carnaval e Copa do Mundo, a conta chega depois — seja no aumento do valor do seguro do carro antigo, comparável ao de um veículo de luxo, seja no preço pago em vidas.

O médico faz questão de frisar que sua manifestação não tem viés político, nem de direita nem de esquerda. “É apenas o alerta de um médico com larga experiência no assunto”, conclui, desejando boa sorte a motoristas e pedestres de todo o país.

Fonte e fotos: Facebook Ricardo Locilento; melhorespublicações.com.br; garagem360