ENTREVISTA COM O FOTÓGRAFO TAQUARITINGUENSE DU ZUPPANI

O premiado fotógrafo e conceituado urbanista fala das expectativas para Taquaritinga

José Luiz Zuppani, o Du, é filho dos saudosos Dr. Paulo Zuppani (dos maiores médicos da história da cidade) e da professora Eunice Salerno Zuppani, casado com a dentista Desiree, pai dos também fotógrafos Palê (in memoriam) e , percorreu mais de 50 países, clicando paisagens, animais e plantas, muito elogiado pela crítica. Nos anos 1990, viveu a experiência de gestor público, como secretário Municipal da Cultura de Bertioga – participou do planejamento de paisagismo do projeto urbanístico do sofisticado balneário Riviera de São Lourenço (distrito de Bertioga), considerado dos mais bonitos do País. Em 2010, foi homenageado pelo Colégio Objetivo de Taquaritinga, tema do “Sarau Elétrico”, promovido pelos alunos. Recentemente, lançou o livro de fotografias “Guaraná – um olhar sobre a floresta”, com texto de Teté Martinho.

Opinião: Como se dá a interação de fotógrafo e urbanista paisagista?

Du Zuppani: Minha atração pela natureza e fotografia são conectadas naturalmente, tudo começa com o olhar, na fotografia e no cenário paisagístico, se busca a recriação, pela emoção, lógica conceitual e técnica. A fotografia leva à natureza, que oferece cenários e informações para a criação do processo de um projeto paisagístico, com documentação de espécies vegetais e animais, mobiliário paisagístico e prováveis frequentadores. As fotos podem estar impressas, em painéis ou quadros, nas áreas internas, e remeter ao paisagismo externo ou detalhes da natureza local e regional, numa conversa lúdica e temática, presente em projetos especiais de hospitais, prefeituras, clubes, universidades, aeroportos, hotéis, restaurantes, como atrativo ao público.

Opinião: Taquaritinga dispõe de paisagens naturais, como a Serra do Jabuticabal, valorosos artistas, e grandes eventos. Como explorar este potencial?

Du Zuppani: A Serra do Jabuticabal já se destaca na paisagem, de longe, por seu relevo; quando se está no topo, temos linda vista e as emoções da altitude, um atrativo turístico concreto, que já acontece espontaneamente, por sua formação geológica, biodiversidade e fácil acesso. Sempre que fui fotografar, com amigos, vi pessoas que estavam lá simplesmente pelo desejo de se estar lá, sentir a altitude, ver a paisagem, o pôr e nascer do sol, ter contato com a fauna e flora. É foco de turismo alternativo e ecológico, caminhada, esportes de aventura, expedição fotográfica, observação de aves, educação ambiental, com potencial para criação de um parque oficial e estruturado. A Serra vive e viverá em minhas emoções, frequentei, desde criança, a Fazenda Glória, da querida família Barreto, chegar na “berada” era uma aventura. Isto aumentou infinitamente quando escolhemos a Serra para lançar aos ventos parte das cinzas do meu filho Palê, natural e amante de Taquaritinga.

O destaque é o carnaval, que tomou dimensões extraordinárias, atrai milhares de visitantes, gera emprego e renda, com aluguéis de imóveis, hospedagens, estímulo do comércio. As redes sociais divulgam, de forma orgânica e gratuita, como das grandes festas regionais. Os movimentos culturais nasceram do povo e pelo povo são mantidos. Hoje, Taquaritinga se encontra no MIT (município de interesse turístico), o que propicia incentivos além da Serra e do carnaval, como a Festa do Peão, Corpus Christi, quermesses de Jurupema e Guariroba e manifestações de outras religiões. Soube que a paróquia possui uma rara relíquia de São Sebastião, que pode atrair milhares de devotos, pois o santo é muito popular. A base, a alma da população taquaritinguense está ligada à Cultura, daí que gerará o turismo cultural.

Opinião: Como o planejamento urbanístico-paisagístico de cidades do porte de Taquaritinga pode contribuir para melhoria da qualidade de vida dos habitantes?

Du Zuppani: O planejamento urbanístico de uma cidade, independente do seu porte, é muito importante para trazer conforto, segurança, mobilidade e beleza; valorizar pedestres e ciclistas e organizar o trânsito de veículos; a sinalização é importante sobretudo aos visitantes, indicações de nomes de ruas, serviços públicos, pontos históricos/culturais/esportivos etc. É imprescindível o bom estado da pavimentação, iluminação, saneamento, escoamento de águas pluviais. A vegetação merece atenção, pois traz mais conforto térmico nas ruas, com espécies adequadas, acompanhado de campanhas de esclarecimento e engajamento da população. As praças e parques devem ter paisagismo estético, de baixo custo e fácil manutenção, que pode ser temático, com bancos, lixeiras, equipamentos de ginástica, pista de caminhada, e servir de apoio a eventos. É preciso acompanhar as tendências de expansão urbana, industrial, fluxo de trânsito etc., a organização de uma cidade está sempre em movimento.

Por: Luís José Bassoli – advogado, professor e jornalista