CRISE INTERNA NA PREFEITURA DE TAQUARITINGA VEM À TONA EM ENTREVISTA NA RÁDIO MASSA

Vice-prefeito faz desabafo público, relata esvaziamento de funções, episódios de desrespeito institucional e aponta clima de tensão dentro do Executivo municipal

Em entrevista ao programa Microfone Aberto, da Rádio Massa, concedida ao jornalista Auro Ferreira, o vice-prefeito de Taquaritinga, Roberto Palomino, fez um forte desabafo sobre sua situação dentro da atual administração municipal. Segundo ele, apesar de eleito como parceiro de governo, vem sendo sistematicamente deixado sem função, afastado de decisões e sem espaço para contribuir com a gestão.

De acordo com o relato, acordos feitos ainda no período pós-eleitoral, como a criação de uma Secretaria de Desenvolvimento, nunca saíram do papel. O vice-prefeito afirma que, na prática, comparece diariamente à prefeitura, cumpre horário integral, mas não recebe atribuições, nem é chamado para reuniões estratégicas ou decisões administrativas.

Outro ponto que chamou atenção na entrevista foi a crítica direta ao prefeito, que, segundo o vice, permaneceria apenas cerca de duas horas por dia no prédio da prefeitura. “Eu chego às 8h da manhã e fico até o início da tarde. Já o prefeito aparece, fica duas horas, duas horas e meia, e vai embora”, relatou, demonstrando frustração e mágoa com a condução da administração.

Episódios de humilhação e conflitos internos

Palomino também narrou um episódio envolvendo o secretário adjunto da Promoção Social, Macoly Adorono Gasparini, que teria lhe dirigido palavras consideradas desrespeitosas. Segundo o relato, ao tentar entrar em uma sala para tratar de um problema urgente, ouviu que deveria “bater na porta” e, posteriormente, ficou sabendo que alguém teria dito que: “mais fácil o vice-prefeito ser mandado embora do que ele”. O caso, segundo o entrevistado, foi presenciado por outros servidores, relatando ainda, que o cargo de confiança, em questão, seria o mesmo, que segundo as redes sociais, teria desrespeitado uma funcionária de uma loja de conveniências da cidade.

Além disso, foi mencionado um episódio envolvendo o vereador Véio Modesto, que teria sido retirado de uma sala pelo próprio prefeito durante uma reunião, sob a justificativa de que estaria “atrapalhando o trabalho da secretária”. O vice-prefeito classificou a situação como uma falta de respeito institucional, destacando que estavam presentes um vereador eleito, uma secretária e o vice-prefeito, todos merecedores de tratamento adequado.

Clima de instabilidade e afastamento

Ao longo da entrevista, ficou evidente um ambiente de crise interna na Prefeitura de Taquaritinga. O vice-prefeito afirmou que comentários internos davam conta de que ele não deveria circular pela prefeitura, algo que considera incompatível com o cargo que ocupa. “Eu sou vice-prefeito, posso entrar em qualquer sala, desde que não interfira no trabalho do secretário”, afirmou.

Palomino relatou ainda, que em determinado momento, passou a receber restrições explícitas de acesso dentro da própria prefeitura. Segundo ele, foi orientado de que não deveria entrar na sala de licitação, sem que houvesse qualquer explicação formal ou justificativa administrativa.

Diante do cenário, o vice-prefeito revelou que avalia um afastamento gradual da rotina administrativa, não por briga pessoal, mas por discordar de atitudes e por entender que sua permanência, sem funções reais, pode se tornar prejudicial tanto para ele quanto para a própria gestão.

A entrevista escancara uma ruptura política dentro do Executivo municipal e levanta questionamentos sobre a governabilidade, o respeito entre autoridades e a condução administrativa em Taquaritinga. A emissora informou que pretende ouvir também a versão do prefeito nos próximos dias, garantindo espaço para o contraditório.