Batalhas invisíveis do início do ano letivo
Por: Dra. Lívia Franco – Endocrinologista Pediatra
Ano novo, vida nova, mas as preocupações pediátricas seguem sendo quase as mesmas. Há toda uma preparação para o início do período letivo: uniformes, material escolar, expectativa pelos professores e amigos…
Mas pouco se fala sobre o que logo ocupa a mente das famílias: as doenças do começo do ano. Para as crianças que estão iniciando a vida escolar, o cenário costuma ser mais intenso, afinal, muitas ainda estão em fase de maturação do sistema imunológico.

Mesmo aquelas que já conhecem o trajeto e já possuem “soldados” preparados para enfrentar os microrganismos não estão isentas. Cada criança carrega em si um repertório próprio, influenciado também pelo ambiente familiar, e os vírus fazem parte dessa história. Por isso, não é incomum que surjam febres inesperadas no início do ano letivo.

Confesso que, para mim, pediatra, não são tão inesperadas assim.
A febre é uma ferramenta robusta de guerra: a guerra do corpo contra os microrganismos invasores. Costumo dizer que ela é uma aliada. Se o seu pequeno está com febre, significa que há uma batalha em curso. Se o organismo vence, o invasor vai embora. Se perde, a doença se instala e outros sintomas aparecem.
O que precisamos compreender é que o corpo merece respeito. E, nesse combate, respeito e repouso são armas preciosas. Alimentação saudável, redução de atividades muito intensas, boa hidratação e, sobretudo, paciência.
Aliás, se eu pudesse escolher uma habilidade essencial para as famílias, seria essa: a paciência.
O que define se o organismo vence ou perde uma batalha é o quão fortalecido ele está. E antes que pensem em fórmulas mágicas, suplementos sem indicação ou estimulantes de apetite, trago uma ótima péssima notícia. A péssima notícia é que fórmulas mágicas não existem. A ótima notícia é justamente essa.
A forma como vivemos define como nosso corpo funciona, e com a imunidade não é diferente. Planta-se o futuro com vacinas em dia, boa higiene, sono regular (dormir cedo e dormir bem), baixa exposição às telas, menor estresse e atividade física regular.
A medicina já sabe indicar quais são os melhores plantios. Cabe à sociedade, e às famílias, escolher qual colheita deseja fazer.
As crianças ainda não podem escolher sozinhas. Elas dependem dos adultos.
Que possamos fazer bons plantios. E colher com saúde.

