ENTREVISTA COM O ENGENHEIRO MECATRÔNICO AUGUSTO SANTAELLA
O taquaritinguense fala do potencial da cidade para o desenvolvimento socioeconômico
José Augusto Santaella, o Guto, tem 55 anos, casado com a Cristiane Pilon, pai da Núbia, do Enrico e da Nicole (que foi coordenadora de produção do filme Ainda Estou Aqui, vencedor do Oscar 2025). Aficionado por eletroeletrônica desde criança, e por música, toca violão, guitarra e bateria – na adolescência, foi baterista da sofisticada banda de rock ribeirão-pretana, Orchidea, que fez sucesso em vários festivais. Formado Técnico em Eletrônica pelo Colégio Técnico da UNAERP, graduado em Engenharia Mecatrônica pela Unianhanguera de Matão, fundou a empresa Brasil-Drones, de alta tecnologia, trabalhou na Agco Soluções Agrícolas e hoje é Engenheiro de Validação Sênior da Baldan Máquinas Agrícolas, de Matão.

Opinião: Matão tem tradição no setor industrial e agronegócio, e avança no desenvolvimento tecnológico. A cidade está no caminho de se tornar um tecnopolo, como São Carlos?
Guto Santaella: Uma característica de Matão, que é seu diferencial, é que o avanço tecnológico está “dentro de fábrica”, ou seja, não apenas um polo acadêmico, a tecnologia é aplicada diretamente na produção. Com a força das indústrias e o suporte de instituições de ponta, Matão vem consolidando um ecossistema onde a inovação serve ao desenvolvimento real e imediato da cidade.
Opinião: O que Taquaritinga poderia “aprender” com o exemplo de Matão para fomentar nosso desenvolvimento?

Guto Santaella: A chave está na continuidade da Educação Técnica, não digo isso em relação à vocação familiar ou individual, e sim institucional e coletiva. Matão entendeu que a indústria só cresce se houver mão de obra qualificada localmente. A presença de uma unidade forte do SENAI, por exemplo, cria um ciclo virtuoso: a empresa investe porque tem o profissional à disposição, e o cidadão se especializa porque tem a expectativa de emprego. É esse foco na formação profissional específica que Taquaritinga pode absorver na busca de se tornar um futuro polo industrial, adequando os potenciais da FATEC, na formação de tecnólogos, da ETEC na formação de técnicos, e do ITES, nas teses acadêmicas.
Opinião: Para encerrar, fale-nos da sensação de ser pai de uma “vencedora do Oscar”, especialmente para você, apreciador da arte!
Guto Santaella: Uma emoção indescritível. Como entusiasta da Arte (da música, particularmente), ver o reconhecimento máximo para uma produção brasileira é a prova de que o talento, quando aliado à dedicação, não conhece fronteiras. A Nicole sempre foi obstinada, na vida e na profissão. Trata-se de um prêmio de toda uma equipe, claro, mas que carrega um pedacinho da nossa essência e da nossa terra, já que ela é formada em Dança pela ETAM Santa Cecília de Taquaritinga. Ver o nome da filha “subir nos créditos” foi um orgulho que transbordou à sala do cinema!

