A GEOECONOMIA PÓS-DÓLAR

Desde 1944, com o acordo de Bretton Woods, todas as transações internacionais utilizam o dólar como indexador. Por exemplo: um produto brasileiro (feito em real), exportado ao Japão (que compara em yene), tem seu valor calculado do real para o dólar e, em seguida, recalculado ao yene (moeda japonesa).
O processo de transferência e troca de moedas entre nações se dá pelo Sistema Swift, que é controlado pelo Tesouro Americano, fazendo do dólar a principal moeda de reserva dos países.
A União Europeia utiliza o euro nas transações intrabloco, sem a intenção de substituir o dólar em nível global; o Mercosul não tem moeda única, mas o Sistema de Pagamentos em Moeda Local, administrado pelo Banco Central do Brasil, e as transações são em real e não em dólar.
Os EUA passaram a utilizar o Sistema Swift para “punir países hostis” aos seus interesses, aplicaram o tarifaço a muitos parceiros, desencadeando o debate sobre a desdolarização da economia global; a moeda americana continuaria sendo referência internacional, só que não a única.

Os países BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Emirados Árabes, Etiópia, Irã e Indonésia) fazem comércio entre si nas moedas nacionais; o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o “banco dos BRICS”, está desenvolvendo a Nova Moeda de Reserva (NMR), uma moeda digital de referência, não vinculada ao dólar nem ao Sistema Swift.
Em 2025, Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio – EFTA (Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein) firmaram acordo estratégico e as transações poderão dispensar o dólar e serem feitas do real (“moeda do Mercosul”) às moedas dos países; no início de 2026, Mercosul e União Europeia chegaram ao acordo que, quando efetivamente implantado, também prescindirá do dólar e transacionar diretamente entre real e euro.
O Japão, maior detentor de Títulos Americanos, e a China, segundo maior, começaram a se desfazer desses papéis. Aos poucos, o mundo vai encontrando alternativas ao uso exclusivo do dólar no comércio internacional – o processo de desdolarização será lento, mas é irreversível.
(Com: ICL; BRICS; ForbesBrasil e agências).

