O MUNDO À BEIRA DAS CINZAS?
A quarta-feira de cinzas trouxe notícias preocupantes na geopolítica global.

Em meio às negociações com os EUA sobre o famigerado programa nuclear, o governo do Irã anunciou o fechamento parcial do Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico, por onde passa 20% do petróleo mundial. A ala naval da Guarda Revolucionária disse que o fechamento durará horas, por meio de exercícios militares, tidos como “resposta” à esquadra de navios americanos que estão na região, que inclui os porta-aviões Abraham Lincoln e Gerald Ford.

Há dois meses, os serviços secretos dos EUA (CIA), Reino Unido (MI-6) e Israel (Mossad) insuflaram grupos de oposição ao governo iraniano, gerando grandes protestos, que foram debelados pelas forças de segurança do país. Trump recuou, ordenou a reabertura do diálogo – os negociadores estão reunidos em Genebra, Suíça, desde terça-feira (17/2), sob mediação de Omã.
A tensão segue alta. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pressiona por um ataque imediato ao Irã; Washington resiste e teme que Israel ataque por conta própria; o exército iraniano deixou claro que o contra-ataque será devastador, sobre Israel e também sobre a frota naval e bases americanas.

Trump insiste que a “mudança de regime no Irã é o melhor que poderia acontecer”, e a ameaça atacar Teerã, se as negociações fracassarem. O líder supremo, aiatolá Khamenei, garantiu que os EUA não derrubarão seu governo e ameaçou: “o exército mais forte do mundo, às vezes, pode levar um tapa tão forte que não consegue se levantar”.
À exceção de Netanyahu, que só sobrevive politicamente em função das guerras, o conflito não interessa a ninguém. Arábia Saudita, Catar, Omã e Egito atuam diretamente para conter a situação; Rússia e China dão sinais que defenderão o Irã.
As consequências de uma guerra regional seriam catastróficas, o fechamento definitivo do Estreito de Ormuz elevaria o preço do petróleo a níveis que colapsaria a economia global – além do risco inimaginável de Israel se ver impelido a usar suas bombas nucleares.
(Com: G1; BBC; Reuters; EBC; Guiame e agências).

