A dor da ausência e o peso das visitas adiadas

Anselminho Barbeiro nos deixou

Quero imaginar que, se existe mesmo um lugar especial para as pessoas boas, ele deve estar lá contando as histórias que sempre gostou de escutar. Porque Anselminho era isso: escuta. Era conversa. Era amizade.

Durante anos cortei o cabelo em sua barbearia. Um espaço simples, mas cheio de humanidade. A gente falava da vida. Na maioria das vezes, falávamos de política, é óbvio. Mas nunca houve ali agressividade. Nunca houve ofensa. Anselminho tinha o raro dom da sensatez.

Foi ali, entre um corte e outro, que nos tornamos amigos.

E agora fico aqui, com a tristeza da partida e uma tristeza maior ainda: a de não ter ido visitá-lo quando prometi a mim mesmo que iria. A vida foi passando, os compromissos se acumulando, e a visita ficou para depois. Depois é uma palavra traiçoeira. Às vezes, ela vira nunca.

Não vou me perdoar tão cedo. Talvez nunca.

A ausência dói, mas o arrependimento nos ensina — da maneira mais dura, que afeto não pode ser adiado. Amigo não se deixa para amanhã. Principalmente aquele que respeitamos, pois ele precisa mais de presença do que de palavras.

Hoje, quando lembro de Anselminho, penso no homem de coração imenso. E entre saudade e culpa, resta-me ao menos a gratidão de ter compartilhado conversas, risadas e reflexões.