ENTREVISTA COM A ARTISTA PLÁSTICA FULVIA MARCHEZI
Conheça mais sobre uma das principais artistas da nova geração de Taquaritinga

Fulvia Marchezi é licenciada em Educação Artística pela FAAP, foi artista exclusiva da Casa Triângulo, de São Paulo, considerada das mais importantes galerias de arte contemporânea do Brasil, e da renomada Galeria Singular; ex-educadora responsável pelo Ateliê Arte para Todos, no Ateliê-Escola e no Ateliê Matéria-Prima de Itapevi/SP. Participou de exposições no MASP, Museu de Arte Moderna (MAM), Bienal de São Paulo e Bienal de Cuba. Retornou à Taquaritinga e tem se dedicado à Arte Visual, realizando interferências urbanas que transformam o cotidiano – pinturas em postes de iluminação pública, muros e paredes, adereços de bordados em árvores das praças, além dos “tapetes” das festas de Corpus Christi, com técnicas de areia tingida e coada, pedrinhas moídas (dolamita) e outros ingredientes.


Opinião: Como a Arte contribui para tornar a vida menos estressante?
Fulvia: Estar envolvida com as linguagens artísticas é uma maneira sensível de escutar o mundo. O silêncio é fundamental no meu processo criativo, gosto de me concentrar no desenho, “ouvir” o que ele “pede”, as cores e formas, para me expressar no mundo, com a liberdade que dificilmente se alcançaria sem a Arte, que é a forma mais bela de se conectar com o improvável, criar um mundo de sonhos e, por isso, possa ser desestressante, o que não quer dizer que o artista esteja imune a essa sensação, pois se depara com uma série de impasses durante o processo de criação, que gera certa angústia. A riqueza maior de ser artista é olhar o “simples” e atribuir a isso um profundo encantamento poético.
Opinião: Qual o papel da Arte na Educação?
Fulvia: A Arte, na Educação, é fundamental para que o indivíduo aprenda a se expressar, usando os “Elementos Visuais” (linhas, pontos, planos, direção, tom, cor, etc.) como ferramentas da linguagem para, através da linguagem artística, ressignificar o mundo pela poesia dos elementos visuais e suas combinações. Assim como se aprende a ler e escrever, usando letras, palavras e suas combinações, usa-se os elementos visuais no que chamamos de “Alfabetização Visual”. Identificar e nomear tipos de linhas, cores, formas e direções, com exercícios de “leitura de imagem” de obras de arte, aprimora também nossa escrita e leitura verbal. Quando estamos “lendo” uma imagem artística, exercitamos nossa capacitação para criar narrativas mais sofisticadas. O ensino sério tem que ser comprometido com a Alfabetização Visual, ensinar a contemplar obras de grandes artistas, oferecer mecanismos para os alunos expressarem ideias, sentimentos, sonhos e fantasias, por meio de pinturas, desenhos, gravuras, esculturas. Ensinar a “ver e fazer Arte” faz acessar nossa subjetividade e contribui para o autoconhecimento. Por isso é revolucionário e, talvez por isso mesmo, seja tão combatido pelos conservadores.

Opinião: Taquaritinga gerou artistas consagrados, como Maguetas, Ricardo De Lucca, Alexandre Fausto, Emília Fucci etc., e segue com a nova geração, como você, Adriana Carvalho, João Fucci, entre tantos. Como você vê essa nossa capacidade?
Fulvia: Acredito que poderíamos ter ainda mais artistas visuais, e de outras linguagens, do que já temos. Para isso, é preciso ampliar os investimentos no ensino público da Arte, com comprometimento e qualidade, pois a cidade é ainda “contida”, sobretudo em relação à produção de Arte nas ruas, praças, prédios, vitrines etc. Sobrevivemos longos anos sem um cinema, por exemplo, o que parece não ter incomodado a maioria dos governantes. Não fossem as políticas públicas federais de incentivo à Cultura, como a Lei Aldir Blanc, estaríamos realmente encrencados. A cidade precisa atuar de forma semelhante, com leis e programas municipais, de extrema importância para tornar concreto projetos de arte autorais, de arte na Educação, alcançar grande número de pessoas, e trazer de volta a efervescência cultural que Taquaritinga merece, e que é nossa característica!
(Colaboração: Luís José Bassoli)

