O corte de árvores na estrada entre Taquaritinga e Jurupema gera indignação

Nova rede elétrica avança ao lado da antiga, enquanto árvores históricas são extirpadas sem explicações claras à população

A paisagem da Rodovia Dr. Adail Nunes da Silva, que liga Taquaritinga ao distrito de Jurupema, no interior paulista, mudou drasticamente nas últimas semanas. Árvores que por décadas sombrearam o trajeto formando um verdadeiro túnel verde, serviram de abrigo para aves e compuseram a identidade visual da via foram simplesmente cortadas para dar lugar à implantação de uma nova rede elétrica.

A intervenção, realizada pela concessionária CPFL, levanta questionamentos que vão muito além da modernização da infraestrutura. Ao que tudo indica, está sendo instalada uma nova rede de energia com postes e fiação novos ao lado da rede já existente — que, até então, permanecia em funcionamento. Para abrir espaço ao novo traçado, todas as árvores que estavam no caminho do projeto foram extirpadas.

Não houve distinção entre espécies jovens ou árvores com décadas de história. Não importou o tempo em que estavam ali, nem o papel ambiental e paisagístico que desempenhavam. O progresso chegou, e as matou.

Dois pesos e duas medidas

Outro ponto que causa indignação é a diferença de tratamento entre o cidadão comum e grandes intervenções estruturais. Um morador que corte uma árvore sem autorização pode ser autuado, multado e até responder criminalmente, dependendo do caso. A legislação ambiental brasileira é clara quanto à proteção da vegetação, especialmente em áreas públicas ou de interesse ambiental.

É provável que a concessionária tenha obtido autorização para a intervenção. Mas a pergunta que permanece é: quem autoriza algo tão drástico? Quais critérios técnicos e ambientais foram considerados? Autorização legal não elimina o debate moral e ambiental sobre o impacto das decisões.

Progresso não precisa ser sinônimo de destruição

Infraestrutura e preservação não são conceitos incompatíveis. Planejamento inteligente pode conciliar expansão energética com respeito ao meio ambiente.

A estrada entre Taquaritinga e Jurupema hoje expõe uma ferida aberta na paisagem. Resta saber se haverá compensação ambiental adequada, replantio planejado e, principalmente, mais diálogo com a população. Porque progresso verdadeiro não elimina a história — ele aprende a crescer ao lado dela.