JIHAD IRANIANA?

O termo Jihad (do árabe “jahada”) significa algo como “empenho no caminho de Deus”, no sentido moral do islamismo. Na geopolítica, se refere ao conceito de “Guerra Santa”, dos muçulmanos contra inimigos, ou entre rivais, como xiitas x sunitas.
A diferença teológica entre sunitas/xiitas é mínima, a rivalidade se deu por tensões políticas, como a Guerra Irã-Iraque nos anos 1980. Os grupos sunitas – Al-Qaeda, Estado Islâmico – são os mais fundamentalistas na guerra aos “infiéis” ocidentais, judeus/israelenses. Cerca de 80% dos muçulmanos são sunitas e 15% xiitas, a maioria no Irã, mas há grandes comunidades xiitas no Iraque, Paquistão, Líbano, Bahrein.
Os EUA nunca deram importância para o conceito de Jihad, sofreram consequências no 11 de Setembro (Al Qaeda), Afeganistão (Talibã), Iraque (Estado Islâmico). Aparentemente, Trump não aprendeu nada com o “descaso” americano pela tradição islâmica da Jihad/Guerra Santa.

Ao assassinar o aiatolá Khamenei, ainda mais com ajuda de Israel, maior inimigo dos muçulmanos, Washington pode ter adicionado o sentimento religioso à resistência iraniana. A ideia de que matar o principal líder religioso, xiita, do mundo muçulmano, faria com que a população do Irã se unisse aos israelenses para “derrubar o regime” nos parece um devaneio.
São muitos os opositores internos dos aiatolás, mas a discordância é política, não religiosa – nunca cogitaram “matar” Khamenei, e sim tirá-lo do governo, pelas vias legais. De imediato, o assassinato causou uma comoção nacional, calou opositores, incentivou os grupos Hezbollah (Líbano), Força de Mobilização (Iraque) e Houthis (Iêmen) a entrarem no conflito e insuflou a imensa comunidade xiita do Paquistão (25 milhões) a pressionar o governo a colocar a potência nuclear na defesa do Irã.
Por fim, Khamenei era um bastião na contenção dos militares que querem construir a bomba nuclear, autor da Fatwa (decisão religiosa) que proibia sua produção

