Casa simples do Agreste vira destaque mundial
Projeto “Casa de Mainha”, do arquiteto pernambucano Zé Vagner, vence prêmio do ArchDaily 2026

Uma casa simples do interior de Pernambuco ganhou reconhecimento internacional e colocou a pequena Feira Nova, no Agreste do estado, entre os destaques da arquitetura mundial. O arquiteto pernambucano Zé Vagner, de 34 anos, venceu o prêmio Building of the Year 2026, concedido pelo site ArchDaily, uma das premiações mais importantes da área.

O projeto premiado é a “Casa de Mainha”, reforma da residência onde o arquiteto nasceu e mora com a mãe, a costureira Nalva. A obra foi pensada como um gesto de gratidão pela trajetória da mãe, que trabalhou para que o filho pudesse estudar e se formar em arquitetura.

Natural de Feira Nova, Zé Vagner deixou o Agreste para estudar Arquitetura na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), após ingressar pelo sistema de cotas. Mesmo com oportunidades na capital, decidiu retornar à cidade natal para aplicar seus conhecimentos na realidade local.

Foi dessa decisão que nasceu o projeto da casa da mãe. A reforma buscou resolver problemas comuns às moradias da região, especialmente o calor intenso e a falta de ventilação adequada nas construções. A solução foi criar uma casa simples, de tijolos, planejada para permitir circulação de vento, ventilação cruzada e melhor aproveitamento da luz natural.

A obra também priorizou o uso de materiais acessíveis e mão de obra local, valorizando técnicas construtivas tradicionais do Nordeste. O objetivo principal era melhorar a qualidade de vida da mãe do arquiteto, que enfrentava problemas respiratórios.

Mesmo com soluções simples e de baixo custo, o projeto chamou a atenção do mundo. A premiação do ArchDaily contou com mais de 120 mil votos de cerca de 100 países, e a Casa de Mainha foi o único projeto brasileiro vencedor na categoria residencial.
O reconhecimento mostra que arquitetura não se faz apenas com grandes obras ou altos investimentos. Em Feira Nova, uma casa construída com afeto, memória e identidade local se tornou exemplo internacional de como simplicidade e propósito também podem transformar espaços e histórias.
Fonte: Carlos Bezerra Júnior; G1; archdaily

