UPA de Taquaritinga é alvo de nota de repúdio após relato de desrespeito a pessoa autista

Associação Amigos do Autista denuncia fala considerada inadequada de profissional e cobra capacitação no atendimento

A Associação Amigos do Autista de Taquaritinga e Região (AMA-TQ) divulgou uma nota de repúdio após um episódio ocorrido na UPA 24h Wilson Rodrigues, em Taquaritinga (SP), no dia de hoje (11), envolvendo o atendimento a uma pessoa com autismo.

Segundo a entidade, a situação gerou indignação, especialmente por ter ocorrido em um ambiente de saúde que deveria ser um espaço de acolhimento e respeito.

De acordo com a nota divulgada pela associação, uma pessoa autista adulta, nível 1 de suporte e com outras comorbidades, procurou atendimento na unidade utilizando o colar de identificação do autismo, recurso usado para facilitar o reconhecimento da condição e garantir prioridade no atendimento.

Durante o atendimento, a pessoa relatou ter se sentido constrangida após uma fala atribuída a uma profissional de enfermagem. Conforme o relato, a profissional teria questionado o uso do cordão e feito comentários sobre o diagnóstico, afirmando que “hoje em dia tudo é autismo”, além de associar o transtorno de forma equivocada à alimentação.

Para a AMA-TQ, o uso da identificação é um recurso importante para garantir prioridade, compreensão e acolhimento, contribuindo para um atendimento mais adequado às necessidades da pessoa autista.

Em depoimento sobre o caso, Joeder Penteado, ex-presidente da associação, afirmou que o episódio demonstra despreparo no atendimento. Ele relatou que a pessoa autista utilizava o cordão de identificação quando foi questionada pela enfermeira, o que gerou indignação tanto nela quanto em pessoas que presenciaram a situação.

Joeder destacou que a associação realiza palestras e orientações sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e sobre os direitos de prioridade.

Na nota pública, a AMA-TQ reforça que, mais do que orientações pontuais, é fundamental que haja informação e capacitação contínua para profissionais que atuam diretamente com o público, especialmente na área da saúde.

A entidade também ressaltou que o TEA é uma condição reconhecida pela ciência e pela legislação brasileira, reafirmando o compromisso da associação com a defesa dos direitos e da dignidade das pessoas autistas e de suas famílias.

Por fim, a associação afirmou esperar que situações como essa não se repitam e que o episódio sirva para reforçar a importância de um atendimento humanizado nos serviços de saúde.