Biomédica alerta para automutilação entre adolescentes e destaca trajetória na estética
Em entrevista ao Microfone Aberto, Joice Gratieri fala sobre carreira, desafios da profissão e faz apelo às mães para maior atenção à saúde emocional das filhas

A biomédica Joice Gratieri, uma das profissionais pioneiras da biomedicina estética em Taquaritinga, foi entrevistada pelo jornalista Auro Ferreira no programa Microfone Aberto, dentro de uma série dedicada a mulheres que vêm se destacando em diferentes profissões na cidade. Durante a conversa, ela relembrou sua trajetória, falou sobre os desafios da área e fez um alerta preocupante sobre adolescentes.

Natural de Taquaritinga, Joice contou que foi a primeira biomédica esteta habilitada na cidade. Formada em Biomedicina pela Unicep, em São Carlos, ela buscou especialização em Ribeirão Preto para atuar na área estética, uma habilitação que passou a ser oficialmente reconhecida por volta de 2014 e 2015. Segundo ela, o início da carreira exigiu coragem e constante dedicação aos estudos. “A gente precisa sempre continuar estudando. Eu nunca parei”, relatou.
A profissional destacou que escolheu a estética não apenas como profissão, mas como vocação de cuidado com as pessoas. Para ela, o trabalho exige responsabilidade e respeito às normas da área da saúde. Joice explicou que prefere procedimentos voltados à naturalidade e ao bem-estar, evitando práticas que não sejam autorizadas por seu conselho profissional.
Durante a entrevista, a biomédica também refletiu sobre a presença feminina no mercado de trabalho. Segundo ela, apesar de avanços importantes nas últimas décadas, o machismo ainda existe, embora as mulheres tenham conquistado cada vez mais independência e espaço profissional.


Entretanto, o momento mais marcante da conversa foi quando Joice trouxe um alerta baseado em situações que tem presenciado em seu atendimento diário. De acordo com a biomédica, muitas adolescentes que frequentam o consultório para procedimentos simples, como depilação, apresentam sinais de automutilação, especialmente cortes nas pernas.

Preocupada com a situação, ela fez um apelo direto às famílias. “Peço para que as mães conversem mais com as filhas, observem, perguntem se está tudo bem”, disse. Segundo Joice, casos de bullying e isolamento social podem estar por trás desses comportamentos, que muitas vezes passam despercebidos pelos responsáveis.


A biomédica ressaltou ainda que a escola tem papel importante, mas reforçou que a base da orientação deve começar dentro de casa. Para ela, diálogo, atenção e proximidade são fundamentais para identificar sinais de sofrimento emocional entre jovens.
Ao final da entrevista, Joice deixou uma mensagem para jovens que ainda buscam seu caminho profissional: escolher uma carreira deve estar ligado ao amor pela profissão. “Quando a pessoa faz por amor, ela se dedica, aprende e consegue fazer a diferença”, concluiu.

