“Eu sabia que estava feio, mas não que estava horrível”, admite prefeito sobre a situação financeira do município
Em entrevista ao programa Microfone Aberto, Dr. Fúlvio Zuppani cita crise financeira, auditoria interna e busca por soluções diante de ação do Ministério Público

Em meio à repercussão da Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público de Taquaritinga, o prefeito Dr. Fúlvio Zuppani concedeu entrevista ao jornalista Auro Ferreira, no programa Microfone Aberto, da Rádio Massa, para esclarecer as medidas que a administração pretende adotar diante da decisão judicial que exige a regularização das escolas municipais em prazos de 15, 30 e 60 dias, sob risco de multa de 10 salários mínimos por escola e por obrigação não cumprida, com limite de até R$ 1 milhão.
Durante a conversa, o prefeito reconheceu a gravidade da situação encontrada na rede municipal de ensino, destacando problemas como fissuras, infiltrações, falhas elétricas, ventilação inadequada e déficit de profissionais, que afetam diretamente centenas de alunos e trabalhadores da educação.
Segundo Zuppani, a prioridade inicial é a adequação da estrutura física das unidades escolares, embora ressalte que parte das melhorias já começou no ano anterior. Ainda assim, ele admite que o cenário era crítico: “Estava muito pior, foi feito um trabalho emergencial para permitir o início das aulas”, afirmou.
Crise financeira limita ações

Um dos principais pontos destacados pelo prefeito foi a baixa arrecadação municipal, que, segundo ele, compromete a capacidade de investimento da prefeitura. Zuppani afirmou que o município enfrenta uma inadimplência superior a 50% na arrecadação de taxas e impostos, o que impacta diretamente na manutenção dos serviços públicos.
“Não existe arrecadação suficiente. Nós podemos fazer aquilo que é possível dentro da realidade da prefeitura”, declarou.
Ele também comparou a situação financeira da cidade a um cenário de sobrevivência: “Estamos vendendo o almoço para pagar o jantar”, disse, ao explicar as dificuldades para cumprir todas as exigências no prazo estipulado.
Auditoria e apuração de falhas
Como parte da estratégia para enfrentar a crise, o prefeito informou que a administração iniciou uma auditoria interna em todos os setores da prefeitura, com o objetivo de identificar falhas de gestão e possíveis irregularidades.
“Vamos descobrir onde estão os pontos de falhas, e vamos até o final, doa a quem doer”, afirmou.
Cumprimento dos prazos e diálogo com a Justiça

Sobre os prazos definidos pela Justiça, Zuppani reconheceu que são desafiadores, mas defendeu a necessidade de bom senso e diálogo institucional. Ele não descartou a possibilidade de solicitar apoio ou prorrogação, caso fique comprovada a impossibilidade de cumprimento integral das medidas no tempo determinado. “No tempo possível nós vamos resolver tudo”, declarou, sinalizando disposição para atender às exigências dentro das limitações financeiras e administrativas.
Herança administrativa e cenário crítico
O prefeito também atribuiu parte dos problemas à gestão anterior, afirmando que tinha noção das dificuldades, mas não da real dimensão da crise. “Eu sabia que estava feio, mas não que estava horrível”, disse.
Apesar das críticas, ele reforçou o compromisso de sua administração em reverter o quadro e recuperar a credibilidade do município.

