ENTREVISTA EXCLUSIVA COM O BISPO DOM WILSON LUÍS ANGOTTI FILHO

Primeiro taquaritinguense ordenado bispo da Igreja Católica faz reflexões sobre fé, esperança e vivência religiosa

Wilson Luís Angotti Filho nasceu em 1958, filho dos saudosos Wilson Angotti (advogado) e Iracy Fernandes Angotti (professora), irmão do Rogério, Maristela, Viviane e Fabiana. Estudou Filosofia no Seminário de São Carlos, graduado em Teologia pela Faculdade N.S.ª da Assunção de São Paulo, mestre em Teologia Dogmática pela Universidade Gregoriana de Roma. Tornou-se padre em 1982 e, em 2011, aos 53 anos, foi ordenado bispo, em cerimônia realizada na Igreja Matriz de São Sebastião, em Taquaritinga, designado bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, pelo papa Bento 16 – hoje, é bispo da Diocese de Taubaté. Dom Wilson é da atual geração de líderes católicos dedicados a cultivar a espiritualidade dos fiéis, e sensíveis a outras questões, como relações familiares, sociais, ecológicas, econômicas, políticas etc.

Opinião: O senhor adotou como lema de seu episcopado a expressão latina “Cor Unum”, a mesma que compõe o brasão de Taquaritinga, que significa “Um só coração”. Que mensagem quis passar?

Dom Wilson Luís: É comum aos bispos escolherem um lema episcopal. O que escolhi é um versículo dos Atos dos Apóstolos (2,32): “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma”. Expressa comunhão, característica essencial da Igreja: comunhão com Deus e com os irmãos. Propositadamente, quis fazer referência à Taquaritinga, onde nasci e vivi a infância e juventude, como também ao Cônego Lourenço Cavallini, padre que me batizou e que compôs o hino e o brasão da cidade.

Opinião: Como valorizar a espiritualidade na contemporaneidade, que se mostra cada vez mais materialista e violenta?

Dom Wilson Luís: Nós somos seres materiais com uma abertura ao espiritual. Nada do que é terreno e humano nos satisfaz plenamente. Tudo aquilo que materialmente ansiamos e pelo qual lutamos, ao alcançar, já não nos satisfaz plenamente. Temos uma abertura ao que é espiritual e só o que é espiritual, o que é “Absoluto”, pode nos realizar plenamente. Somos criaturas de Deus e a Ele somos destinados. Quem exclui a dimensão espiritual da vida acaba por absolutizar o que é relativo e a viver somente voltado ao que é terreno e, assim, a vida pode ser permeada por todo tipo de mal. Sem a dimensão de espiritualidade somos incompletos.

Opinião: Qual o papel da família na busca de uma sociedade mais justa e igualitária?

Dom Wilson Luís: A família nos prepara a viver em sociedade. Na verdade, é o primeiro agrupamento social em que vivemos e nos preparamos para conviver em sociedade. Nesta perspectiva, a família religiosa poderá transmitir valores humanos e cristãos aos filhos. Porém, mesmo não sendo religiosa, é papel da família cultivar valores humanos, como empatia, respeito, honestidade, responsabilidade, justiça, solidariedade. A vivência desses valores nos ajuda a nos relacionarmos melhor em sociedade. Atualmente, tem sido muito mais intensa a influência dos amigos e das redes sociais em detrimento àquela que a família exerce. As famílias não podem abdicar de viver e transmitir seus valores às novas gerações, disso depende a realização da família e o bem da sociedade.

(Colaboração: Luís José Bassoli. Foto: Diocese de Taubaté).