Prazo Curto, Problema Longo
Décadas de desordem não se resolvem com urgência mal planejada

Que o descarte de entulhos de obras precisa ser regularizado é fato. Que a lei deve ser cumprida, nem se discute. Que restos de galhos e folhas precisam de destino adequado, ninguém duvida.
O que incomoda não é o “o quê”, mas o “como”. É o modus operandi, a forma como as coisas são feitas. Falta planejamento. Falta, principalmente, tempo para que empresários e usuários de caçamba se adequem.
Alguns dirão que o assunto já vem sendo discutido há tempos e que providências já deveriam ter sido tomadas. Também é verdade. Mas cabe à prefeitura gerenciar essas ações. É ela quem deve estruturar o sistema, contratar empresa para administrar os pontos de descarte e indicar caminhos claros. A iniciativa precisa partir do poder público.
Vai doer no bolso do munícipe? Vai. A lei é federal e precisa ser cumprida. Mas fica a pergunta: não deveria haver mais prazo de adequação?
Problemas que se arrastam por décadas não se resolvem da noite para o dia. Sem tempo suficiente, o resultado parece previsível: surgirão pontos clandestinos de descarte. Áreas verdes, terrenos abandonados e espaços longe dos olhos da fiscalização.
Aliás, fiscalização existe?
Entre a lei e a prática, há sempre um espaço. E é nesse espaço que se revela se há planejamento — ou apenas improviso.

