O grito dos aposentados e a realidade do cofre

Vereadores fiscalizam, o IPREMT administra, mas é o Executivo quem decide o que será pago

O desabafo da aposentada Simone Gonçalves, primeiro na Tribuna e depois nas redes sociais, expõe mais do que atrasos: revela o desgaste de quem depende do poder público para receber o que é seu por direito. Em Taquaritinga, aposentados e pensionistas enfrentam dissídios não pagos, salários fora do prazo e rescisões esquecidas — um cenário que não pode ser tratado como rotina.

É compreensível que a cobrança recaia sobre os vereadores. Afinal, são eles a face mais próxima da população. Mas é preciso esclarecer: o Legislativo fiscaliza, cobra, investiga — não executa pagamentos. Pode, sim, pressionar e dar transparência, mas não resolve diretamente o problema.

O mesmo vale para o IPREMT. O instituto administra os recursos disponíveis, mas não cria receita. Sem dinheiro em caixa, sua atuação se limita ao possível, não ao necessário.

A solução está no Executivo, mais precisamente na condução da Secretaria da Fazenda. É ali que se definem prioridades, se organizam despesas e se decide quem recebe — e quando. E é justamente aí que o município precisa agir com firmeza.

Taquaritinga vive um momento que exige responsabilidade fiscal. Não há espaço para desperdícios ou gastos secundários. É hora de focar no essencial: folha de pagamento, compromissos básicos, aquilo que sustenta a confiança da população.

Austeridade não é escolha ideológica, é necessidade. Fechar as torneiras do supérfluo é o único caminho para garantir o fundamental.

O que se cobra não é favor, é compromisso. E este começa com uma decisão clara: colocar as prioridades no lugar certo.