Entre a Urgência e o Medo
Quando cuidar da vida também exige proteção

Um incidente ocorrido na UPA 24h Wilson Rodrigues, reacende uma questão que insiste em não ser esquecida — embora seja negligenciada. A unidade precisa, com urgência, de segurança 24 horas. Não é mais admissível que profissionais da saúde continuem à mercê de agressões de toda natureza, enquanto exercem justamente a função de cuidar do outro.
Trabalhar em uma unidade de pronto atendimento já é, por si só, um exercício diário de tensão. Quem chega até ali carrega dor, medo e, muitas vezes, desespero. Para cada paciente, seu caso é sempre grave. O tempo, nesses momentos, parece mais lento do que deveria, e a espera, quase insuportável.
Nem sempre o atendimento ocorre na velocidade desejada. Nem sempre há prioridade para todos ao mesmo tempo. E é justamente nesse cenário que o ambiente precisa ser ainda mais controlado, mais humano — e, sobretudo, mais seguro.



No episódio recente, há indícios de que a agressão ao funcionário possa não ter partido diretamente de alguém em atendimento, mas de um outro problema qualquer. Ainda assim, isso não muda o essencial: o servidor precisa estar protegido dentro do seu local de trabalho. A unidade de saúde deve ser um espaço de acolhimento, nunca de ameaça.
Surge então uma pergunta simples, mas necessária: por que não garantir a presença de um policial a paisano da atividade delegada em regime de plantão na UPA? Trata-se de uma medida prática, possível e, diante dos fatos, cada vez mais urgente.
Os profissionais da saúde — médicos, enfermeiros, técnicos e demais servidores — não podem continuar expostos. Cuidar da vida exige preparo, dedicação e empatia. Mas também exige segurança. Sem ela, o cuidado se fragiliza. E quando isso acontece, toda a sociedade adoece junto.

