ENTREVISTA COM O GESTOR CULTURAL WILLIAM DOS SANTOS, O CAJU

Especialista no ramo cultural e projetos sociais, aborda as oportunidades da arte no desenvolvimento socioeconômico de Taquaritinga

William Silva dos Santos, o Caju, nasceu no Guarujá, em 1981, e encontrou em Taquaritinga o lugar para construir sua trajetória de vida. Graduado em Psicologia pelo ITES, especialista em Gestão de Projetos pela UFSCar, pesquisador em Políticas Públicas Socias da USP, atua como gestor de políticas públicas, consolidando-se como referência no setor cultural. Em 2016, participou da formulação do Plano Diretor de Desenvolvimento Turístico de Taquaritinga, contribuindo para a conquista do título de Município de Interesse Turístico (MIT). Atualmente, cursa Direito na Faculdade São Luiz.

Opinião: Taquaritinga é berço de grandes artistas, como José Paulo Paes (literatura), Maguetas e Ricardo De Lucca (artes plásticas), Genezio de Barros (ator), Francisco Azadinho (dança), Ed Gagliardi (música) etc. Como você analisa essa nossa característica?

William Caju: Falar disso mexe comigo! Quando penso nos tantos nomes importantes que saíram daqui, dá um orgulho enorme e também uma reflexão. Taquaritinga tem alma artística, isso não se cria artificialmente, nasce com o lugar, com as pessoas. Vejo a cidade como celeiro de talentos e, ao mesmo tempo, sinto que muitos ainda caminham sozinhos, o que me inquieta. A Cultura, aqui, é mais que expressão artística, é identidade, história, resistência. Acredito que quando valorizamos nossos artistas valorizamos quem somos. Isso transforma o modo como a cidade se enxerga, como se posiciona, como se desenvolve. Fico feliz em ver a nova geração despontando. Os secretários de Cultura (anterior e atual) são frutos deste celeiro de artistas, focados no desenvolvimento cultural do município. 

Opinião: Você participou, junto à Câmara e à Prefeitura, das ações que culminaram na classificação de Taquaritinga como Município de Interesse Turístico. Quais as vantagens que se pode obter daqui para frente?

William Caju: Participar desse processo foi muito significativo, não era só um projeto técnico, era acreditar que Taquaritinga podia mais. Quando o título veio, senti como o reconhecimento do que sempre esteve aqui, só que ainda não tinha sido oficialmente enxergado. Foi um marco! Precisamos dar mérito, sim, a este governo, que não desistiu do legado dos governos anteriores, mas tenho claro que o título, por si só, não basta, ele abre caminhos, agora é definir o que podemos fazer pro futuro – com união, planejamento e coragem, dá para transformar a Cultura e o Turismo numa força real de desenvolvimento. Acredito nisso não só como profissional e sim como alguém que escolheu construir a vida aqui. Confio na atual gestão, existem pessoas competentes para avançarmos!

Opinião: Você tem atuado em projetos de financiamento do setor cultural, com destaque à Lei Federal Aldir Blanc. Há como o município agir de forma semelhante na produção local?

William Caju: A Lei Aldir Blanc é das experiências mais humanas que vivi dentro da política cultural. Atuo em vários municípios, de todos os estados da federação, é uma política pública que conseguimos ver o impacto direto, o recurso chegando, artistas que estavam prestes a desistir retomarem seus projetos, a cultura resistindo — e isso não tem preço. Políticas culturais precisam ser “políticas de Estado” e não “de governo”, têm que ser perenes, de longo prazo, não depender de momentos ou de boa vontade isolada. A continuidade é algo que sempre defendi: além de verbas, é necessário cuidado, presença, orientação, porque há muito talento “escondido” que só precisa de oportunidade. Há pouco, foi publicado o edital municipal, com acolhimento institucional ímpar pela Secretaria Municipal de Cultura, mais que documentos, o acolhimento do artista vale milhões. O secretário Jonatas Fidelis e sua equipe estão de parabéns!

No fundo, o que me move é ver a Cultura ser tratada com o respeito que merece, quando investimos em Cultura, investimos em pessoas, em sonhos, em futuro.

(Colaboração: Luís José Bassoli)