ENTREVISTA EXCLUSIVA COM O TENENTE-CORONEL DA FAB CARLOS ALBERTO GONÇALVES
Alto funcionário da Embraer, fala das possibilidades de desenvolvimento regional a partir da fábrica de Gavião Peixoto

Carlos Alberto Gonçalves, para os amigos, o Gordo, nasceu em São Paulo, em 1966, mas é oficialmente taquaritinguense desde 2016, quando recebeu o Título de Cidadão, da Câmara Municipal. Carlos Alberto veio à Taquaritinga na infância, acompanhando o pai, o saudoso sr. Norberto, gerente-geral da extinta Fábricas Peixe, por anos a maior indústria da cidade, a mãe, dona Lalá, e os irmãos Beto e Emerson. Formado pela Academia da Força Aérea de Pirassununga, foi piloto de caça da FAB até se aposentar, sendo contratado pela Embraer, no setor de Defesa, para atuar no desenvolvimento de aeronaves de alta tecnologia, como o cargueiro KC-390, o mais moderno do mundo em sua categoria.
Opinião: Como a indústria bélica contribui para o País?
Carlos Alberto: É preciso analisar sob dois aspectos: primeiro, o Brasil traz, na Constituição, a posição clara em favor da paz, os princípios de não-intervenção e resolução pacífica de conflitos, então, as Forças Armadas são para defesa da soberania nacional; segundo, a indústria bélica está ligada à tecnologia de ponta, produção de equipamentos militares e também de uso civil, o que fomenta o conhecimento científico e o desenvolvimento socioeconômico do nosso País como um todo.

Opinião: A pequena cidade de Gavião Peixoto, que abriga a fábrica da Embraer, apresenta uma das melhores qualidades de vida do Brasil. Como Taquaritinga e região poderiam se valer desse desenvolvimento?
Carlos Alberto: A escolha de Gavião Peixoto para abrigar a fábrica da Embraer se deu, entre outros fatores, pela localização geográfica, no centro do estado de São Paulo, e a infraestrutura viária, como a rodovia Washington Luís. Cada cidade tem que “descobrir sua vocação”, traçar seu próprio planejamento estratégico; na região, temos os exemplos de São Carlos, que se firmou relevante tecnopolo; Araraquara e sua base industrial e de serviços; e, mais recente, a vizinha Matão, que aliou a formação dos jovens aos empregos nas indústrias locais. Taquaritinga foi referência na indústria alimentícia, me lembro das Fábricas Peixe, Paul’Etti, Colombo. Acredito que o agronegócio, em parceria com Fatec, Ites, Etec, pode ser uma boa opção de desenvolvimento, mas isso é só um “palpite”, as decisões cabem aos gestores públicos e à sociedade taquaritinguense.
Opinião: Taquaritinga é terra natal do herói de guerra Joel Miranda, piloto de combate da 2.ª Guerra Mundial. Qual sua importância para a memória da cidade?
Carlos Alberto: O Brigadeiro Joel Miranda nasceu em Santa Ernestina, que, na época, era distrito de Taquaritinga. Na 2.ª Guerra, efetuou 31 missões de combate, foi abatido em fevereiro de 1945, acolhido por pessoas especiais em território italiano, e teve o amigo mais próximo morto cruelmente pelos alemães. Sua história consta num livro e vídeo, que podem ser adquiridos pelo site www.sentandoapua.com.br. Na Força Aérea Brasileira, sobretudo no setor da aviação de caça, ele tem o devido reconhecimento. Infelizmente, os gestores públicos de Taquaritinga ainda não deram a consideração que o nosso herói merece. Espero que isso venha a acontecer.
(Colaboração: Luís José Bassoli)

