Não Foi Só Uma Derrota

Entre votos, vaidades e silêncios, a política mostra suas prioridades

O que houve ontem, não foi apenas a derrota de Jorge Messias. Tampouco se limitou a um revés administrativo. O que se viu foi um recado, daqueles que ecoam pelos corredores do poder: a derrota foi, sobretudo, de Luiz Inácio Lula da Silva.

No plenário, os números falaram com frieza: 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção. Mas por trás da matemática, havia um jogo mais antigo que a própria República. Davi Alcolumbre, experiente na arte de medir forças, parecia dizer: “aqui quem manda sou eu”.

Curioso é que, após mais de um século — desde 1894 —, o Senado decide rejeitar um indicado ao Supremo Tribunal Federal. Justamente agora. Justamente ele. Coincidência não costuma frequentar a política.

Nas sabatinas, perguntas que deveriam medir saber e preparo se desviaram para atalhos estranhos, quase caricatos. Não se tratava de avaliar a capacidade, mas de marcar posição. Era menos sobre Justiça e mais sobre território.

E assim, entre discursos e olhares calculados, o país assistiu a um espetáculo familiar: o interesse coletivo ficando em segundo plano. Não importa tanto quem é o mais qualificado — importa quem articula melhor, quem resiste mais, quem impõe mais.

No fim, fica uma sensação incômoda. Não apenas pela derrota de um nome, mas pela vitória de um método. O Brasil, mais uma vez, viu a política falar alto — talvez alto demais — e a técnica sussurrar, quase inaudível, no fundo da sala.

Fonte e fotos: JP News; Agência Senado