TRUMP E O IMPONDERÁVEL

A tática de Trump, desde que assumiu o segundo mandato, é exagerar, ao máximo, suas posições, para “normalizar”, nas redes sociais, todo e qualquer absurdo, sem que se saiba exatamente o que quer com isso.

Na política externa, causou – e vem causando – uma situação inimaginável, brigou – e continua brigando – com aliados, adversários, inimigos e países neutros, uma metralhadora giratória a alvos indefinidos: tarifaços, ataques, voltas e reviravoltas; ameaçou anexar o Canadá e a Groenlândia (que pertence à Dinamarca), sequestrou o presidente da Venezuela; oscila no apoio à Ucrânia e Rússia (humilhou o presidente Zelensky e bajula Putin); brada defender Taiwan e se acovarda diante do líder chinês Xi Jinping; destratou a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, em plena Casa Branca; e chegou ao cúmulo de “xingar” o Papa Leão 14!
Internamente, atolado nos escândalos sexuais do Caso Epstein, dispara enxurradas de fakenews, perseguições a imigrantes e às mulheres: o secretário de Defesa, Pete Hegseth, iniciou campanha pelo fim do voto feminino – isso mesmo! A ideia (estapafúrdia) vem de um pastor evangélico ultraconservador, que deturpa a Bíblia para dizer que “mulheres não podem ocupar cargos de liderança” na sociedade.
Trump e seu “fiel-escudeiro” Netanyahu se meteram numa guerra contra o Irã impossível de ser vencida e não conseguem encontrar uma forma honrosa de sair da enrascada.
Nesta semana, Trump mostrou sua inesgotável capacidade de criar confusão: publicou memorando que considera “rever” a histórica posição americana a favor do controle britânico das Ilhas Malvinas (Falklands), reivindicadas pela Argentina – para delírio do “subpresidente” Milei – e ameaçou expulsar a Espanha da OTAN.
Qual a estratégia de Trump? Aonde quer chegar? Ninguém sabe! O consenso é que não há projeto, tudo é feito no improviso.

Por fim, haveremos de aguardar como o povo norte-americano vai lidar com o monstro que criou: parlamentares Democratas, jornalistas e ex-aliados defendem que o vice-presidente invoque a 25.ª Emenda da Constituição, que permite “remover temporariamente o poder do presidente considerado incapaz”; em novembro, acontecerá as eleições de meio de mandato (midterms), que renova todos os deputados e ⅓ dos senadores, cujo resultado pode – ou não – abrir caminho para o impeachment de Trump.
(llustrações: Brendan Lynch/Getty Images; e Internet)

