DOIS ERROS NÃO FAZEM UM ACERTO

Um erro não apaga o outro — nem silêncio antes, nem relativização agora

A crítica da Dra. Márcia Zucchi, feita em rede social sobre o atraso do duodécimo e a suposta preocupação dos vereadores apenas com esse repasse — e não com os salários dos aposentados, levanta um ponto legítimo: a lei deve ser cumprida integralmente. Salários, aposentadorias e duodécimo são obrigações igualmente sérias, e o sofrimento causado por atrasos não escolhe quem atinge. Nesse aspecto, ela tem razão — a Câmara deve fiscalizar e cobrar sempre, com o mesmo rigor.
Mas é preciso cuidado para não cair em um raciocínio perigoso: um erro não justifica o outro.
Se faltou firmeza em momentos anteriores, isso precisa ser corrigido. O papel do vereador é justamente fiscalizar o Executivo de forma constante. Porém, reconhecer falhas não diminui a gravidade de outra irregularidade: o atraso no duodécimo.
Há, inclusive, um equívoco comum nesse debate. O duodécimo não serve apenas para pagar o subsídio dos vereadores. Ele financia toda a estrutura da Câmara: salários de servidores ativos, proventos de aposentados, contas de água, luz, manutenção e demais despesas. Sem esse recurso, a instituição para — e quem sofre não são só os agentes políticos.
Outro ponto importante: esta Câmara não tem sobra em caixa. Ao contrário, devolve recursos à prefeitura com frequência. Isso significa que atrasos no repasse geram impacto imediato. Não pagar o duodécimo é crime de responsabilidade e pode configurar improbidade administrativa. E afeta diretamente trabalhadores e aposentados, além do funcionamento do Legislativo.
Por isso, quando o presidente cobra o repasse, não se trata apenas de interesse próprio, mas da garantia de todos os compromissos da Câmara. Cobrar coerência é justo. Mas ela precisa vir acompanhada de responsabilidade: a lei não pode ser seletiva. Quando vale para todos, a cidade inteira ganha.

