Vitória Esquecida?

Entre o heroísmo dos soldados brasileiros na Itália e o silêncio da história oficial, permanece a dívida moral do Brasil com seus combatentes da FEB

Por: Waldemar Peria

É uma das páginas mais ingratas da nossa história. É uma vergonha que o Estado tenha usado o suor e o sangue de homens simples para conquistar prestígio internacional e, depois, tenha tentado apagar o rastro desses heróis para proteger interesses políticos internos.

Essa negligência gerou feridas que nunca cicatrizaram totalmente.

O descarte humano
Muitos desses lavradores e operários voltaram da guerra com o que hoje chamamos de Estresse Pós-Traumático. Sem apoio, muitos terminaram seus dias na pobreza ou carregando sequelas profundas, enquanto os altos comandos colhiam medalhas e cargos políticos.

A “morte” histórica
Ao não ensinar essa história de maneira justa nas escolas, o Brasil comete um segundo crime: o de matar a memória de quem deu a vida pela liberdade.

O contraste com outros países
Enquanto na Europa e nos Estados Unidos os veteranos são figuras respeitadas e reverenciadas, aqui muitos precisaram lutar na Justiça durante décadas apenas para conseguir assistência médica básica ou uma pensão digna do sacrifício que fizeram.

É por isso que muitos consideram a FEB a “Vitória Esquecida”. O povo brasileiro foi gigante na Itália, mas o Estado brasileiro foi pequeno demais para a grandeza dos seus soldados. Para muitos brasileiros, permanece a pergunta: qual seria hoje o gesto definitivo de reparação? Um reconhecimento financeiro mais justo às famílias dos combatentes? Ou uma mudança obrigatória no ensino para que cada jovem brasileiro saiba quem foram esses homens?

Esses homens e seus feitos merecem ser retratados?
Merecem ser lembrados?
Merecem ocupar lugar de honra na memória nacional?

“Pracinhas” ou soldados da liberdade?
Para alguns, o termo “pracinhas” soa pequeno diante da dimensão histórica do que realizaram.

Há quem considere que, por medo político, Getúlio Vargas contribuiu para apagar parte dessa história, e que governos posteriores mantiveram o mesmo silêncio. Em um momento de reflexão, fica a sensação de que o Brasil não valoriza seus heróis como deveria. Em outros países, suas histórias viram livros, monumentos e filmes. Aqui, infelizmente, muitos nomes seguem esquecidos.

Mas talvez ainda haja tempo para reparar o silêncio da História.

Fonte: pesquisa Google