IRÃ, RÚSSIA, CHINA

Em 2025, Irã e Rússia assinaram pacto de cooperação militar, mas não de “defesa mútua”

O Irã se prepara para uma guerra ampla com os EUA há 20 anos, e decidiu não comprometer sua defesa a nenhuma potência externa. Em relação à Rússia, essa decisão se consolidou com a situação da Síria, um “protetorado” de Moscou (que abriga a única base militar russa na região) e, mesmo assim, sucumbiu aos ataques terroristas do Estado Islâmico, com apoio dos EUA, que levaram o país à guerra civil e à destituição do presidente Assad. Além disso, um acordo de defesa mútua obrigaria Teerã a entrar na guerra da Ucrânia, o que enfraqueceria sua própria proteção contra Israel/EUA.

Após os recentes ataques, a Rússia tem fornecido ao Irã imagens de satélite, novos drones e táticas de combate.

A relação com a China é essencialmente comercial, o país compra cerca 80% do petróleo produzido pelo Irã. Em 2021, assinaram uma parceria estratégica de 25 anos, que prevê US$ 400 bi de investimentos chineses em infraestrutura, além do apoio diplomático.

As relações internacionais chinesas focam no comércio e no multilateralismo, para manter o equilíbrio de poder com os EUA, sem se envolver, diretamente, em conflitos. As tratativas se dão com governantes civis dos Estados, o que se mostra ineficiente com o Irã, que tem uma forma de gestão complexa, compartilhada entre os poderes Executivo, Legislativo e a Assembleia dos Aiatolás (eleitos pelo voto direto), e a Guarda Revolucionária (órgão acima do exército regular).

As ações israelenses de decapitação de lideranças religiosas e políticas fizeram com que a Guarda Revolucionária aumentasse sua influência no governo. O conflito passou a ser monitorado pela China, principalmente para se preparar para sua própria guerra futura com os EUA, em Taiwan, com o cuidado de não prejudicar as relações com Arábia Saudita, Emirados Árabes, Catar e com Israel e EUA – mas, discretamente, Pequim tem cedido ao Irã tecnologias, como o sistema de satélites BeiDou e radares de longo alcance.

China, Rússia e Irã são Estados civilizacionais, com unidade cultural-histórica milenar, por além de situações geopolíticas pontuais. Já Israel e EUA são Estados modernos, criados recentemente, sujeitos à instabilidade política, vulneráveis a decisões erráticas em crises ocasionais.

Isso fará toda diferença nesta guerra no Oriente Médio.