Franqueza e austeridade: o mínimo que a população espera
Em tempos de crise, a cidade precisa de verdade, responsabilidade e exemplo do poder público

É preciso ser franco. Que a cidade atravessa uma situação gravíssima nas finanças, todo mundo sabe. O próprio prefeito já reconheceu isso publicamente inúmeras vezes ao resumir o cenário de forma direta: “a coisa tá feia”. E talvez seja justamente essa sinceridade que ainda mantenha algum nível de compreensão por parte da população.
O problema é que nem todos no governo parecem seguir a mesma linha. Falta ao secretariado a mesma transparência demonstrada pelo prefeito. Falta que alguns secretários façam como fez o secretário da Saúde, Denis Machado – foi à Câmara e respondeu aos vereadores com franqueza e sinceridade. A população e os vereadores não aceitam mais discursos evasivos, promessas irreais ou tentativas de maquiar a realidade. Quando a situação é difícil, é preciso dizer claramente que é difícil. A verdade, por mais dura que seja, ainda é melhor do que a sensação de estar sendo enganado.
A população tende a colaborar mais quando percebe honestidade de quem governa. Mas essa colaboração também exige contrapartida. O poder público precisa fazer a sua parte, oferecendo ao menos o básico em zeladoria, manutenção e organização da cidade. Não se pode pedir sacrifício do cidadão enquanto faltam medidas concretas de contenção de gastos dentro da própria administração.
É hora de austeridade. Hora de fechar as torneiras da máquina pública. Reduzir cargos, rever contratos, diminuir gastos com MEIs e enxugar estruturas que pesam no orçamento. Em momentos de crise, governar exige coragem para cortar privilégios e dar exemplo.
A população entende dificuldades. O que ela não aceita é incoerência. O recado é simples: se a situação é grave, que se diga com clareza. E que alguns secretários aprendam, de uma vez por todas, a ser francos com o povo.

