UMA MULHER NO COMANDO DA ONU?

Este ano, haverá a escolha do próximo Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas, cargo ocupado pelo português António Guterres, reeleito em 2021 para o mandato de 5 anos; o novo secretariado assumirá em janeiro de 2027.
Em fevereiro de 2026, os governos de Chile, Brasil e México apresentaram a candidatura da ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, para chefiar a ONU. No mês seguinte, o recém-eleito presidente chileno, José Kast, de extrema-direita, retirou o apoio à sua compatriota, apesar de Bachelet ser descrita como “altamente qualificada”, com o “melhor currículo”, por ter sido duas vezes presidente de seu país, ocupado os cargos de Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos e de Diretora Executiva da ONU-Mulheres – Lula e a presidente do México, Claudia Sheinbaum, argumentam que, após 80 anos, chegou a hora de as Nações Unidas, finalmente, “ser comandada por uma mulher”.
Na semana passada, Lula recebeu Bachelet, no Palácio do Planalto, e enalteceu a importância termos a primeira mulher latino-americana liderando a ONU, para “promover a paz, fortalecer o multilateralismo e recolocar o desenvolvimento sustentável no centro da agenda”.
Para ser Secretário-Geral, o indicado precisa, primeiro, ser “recomendado” por, ao menos, 9 dos 15 países do Conselho de Segurança, sem o veto de nenhum dos membros permanentes EUA, Rússia, China, Reino Unido e França; depois, ter a maioria dos votos dos 193 Estados-membros da Assembleia Geral.
Tradicionalmente, o cargo é rotativo entre regiões (mas quando o português Guterres foi eleito, era para ser a vez da Europa Oriental); agora, seria a hora da América Latina, porém, além do diplomata argentino, Rafael Grossi, e da ex-vice-presidente da Costa Rica, Rebeca Grynspan, concorre o africano Macky Sall, presidente do Senegal.
No ano passado, a Assembleia Geral aprovou resolução na qual “se observa, com pesar, que nenhuma mulher jamais ocupou o cargo de Secretária-Geral”, vê a “necessidade de se garantir igualdade para mulheres e homens”, e “encoraja os Estados-membros a considerar seriamente indicar mulheres”.


Nesse sentido, por ser a vez da América Latina e se ter a prevalência por mulheres, as candidaturas da chilena Bachelet e da costa-riquenha Grynspan seriam as favoritas.
Foto de capa: UOL

