O DESAFIO ELEITORAL DE TRUMP

No complexo (e confuso) sistema eleitoral americano, existe a “eleição de meio de mandato” (midterm election), que acontece dois anos após as eleições presidenciais. Em geral, 60% dos eleitores comparecem às urnas na eleição presidencial, e 40% nas de meio de mandato.

As eleições de meio de mandato são realizadas na terça-feira após a primeira segunda-feira de novembro, e renovam todos os 435 deputados federais; 33 (ou 34) dos 100 senadores; e governadores de 34 dos 50 estados, para mandatos de 04 anos (Vermont e New Hampshire elegem governadores para mandatos de 02 anos, nas eleições presidenciais e nas de meio de mandato), ou seja, 36 governadores são escolhidos nestas eleições. Alguns estados também elegem deputados estaduais e prefeitos.

Atualmente, o Congresso é dominado pelo Partido Republicano, de Donald Trump: 219 deputados contra 216 democratas; 53 senadores contra 47 democratas. Pesquisa do The Washington Post, ABCNews e Ipsos, revelou que o “entusiasmo eleitoral” dos democratas supera o dos republicanos: 79% dos democratas “vão votar com certeza”, ante 65% dos republicanos.
SWING STATES
Na dicotomia republicanos/democratas, há os “estados-pêndulos” (swing states), que não têm preferência consolidada, onde as eleições, geralmente, são definidas por até 3% de vantagem, para um ou outro lado, entre eles Arizona, Georgia e Wisconsin. Assim, as pesquisas têm alcance limitado para antever as tendências político-eleitorais.
A ESTRATÉGIA DE TRUMP
Outras pesquisas evidenciam que 40% dos republicanos que desaprovam Trump não confiam, automaticamente, nos democratas para “resolver problemas nacionais”; e que os democratas, historicamente, tendem avaliar o país de forma mais crítica, o que pode impulsionar a mobilização interna, mas também alimentar uma narrativa negativa que afasta os “centristas”.
Diante disso, é razoável supor que Trump buscará recuperar parte dos republicanos que estão “decepcionados” com sua gestão, pedindo um novo voto de confiança para os próximos dois anos, já que não poderá se candidatar novamente (a lei não permite um terceiro mandato), e tentará insuflar a desconfiança dos centristas aos democratas.
Não se espera nenhuma mudança brusca em seu “estilo” e na retórica utilizada nas redes sociais. Mas, certamente, Trump irá explorar o “fim” da guerra com Irã para retomar a narrativa de “agente da paz” e torcer para que a reabertura do Estreito de Ormuz reduza o preço dos combustíveis, alivie a inflação interna e estimule a economia nacional.
Por fim, e não menos importante, Trump terá que lidar com o poderoso lobby pró-Israel, no Congresso e na sociedade americana, que está, digamos, descontente, com o desenrolar do conflito no Oriente Médio.
(Com: Veja; InfoMoney; G1 e agências).

