A DOUTRINA DONROE

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, está em “turnê” pela América do Sul, visitando Colômbia, Equador e Peru, cujos presidentes são alinhados, ideologicamente, a Donald Trump.
Os EUA não têm Ministério das Relações Exteriores, a diplomacia cabe ao Departamento de Estado – Washington não considera se “relacionar”, no sentido de “criar conexões, interagir” com outros países, e sim defender os interesses americanos no mundo.
O icônico diplomata Henry Kissinger, secretário de Estado nos governos Nixon e Ford (1973/1979), que atuou nos bastidores até morrer, aos 100 anos, em 2023, seria o autor da máxima “Ser inimigo dos Estados Unidos é perigoso, mas ser amigo é fatal”, para dizer que os EUA não têm aliados, apenas subordinados.

Os governos Obama/Biden mantiveram relações diplomáticas amistosas com a América Latina, especialmente com os quatro grandes Brasil, México, Argentina e Colômbia. Com Trump, a situação mudou totalmente; Washington resgatou a Doutrina Monroe, do séc. 19, sintetizada no slogan “América para os americanos”, a assimetria de poder em detrimento do equilíbrio, apelidada de “Doutrina Donroe”.
Marco Rubio é o escolhido para a missão; nasceu em Miami, filho de exilados cubanos, fez carreira política quase que exclusivamente em discursos “anticomunista”
e “contra Cuba”, aliando-se ao trumpismo para subordinar a América Latina aos interesses americanos.

No início de 2026, Trump criou o Escudo das Américas (Shield of the Americas, em inglês),
aliança de cooperação militar com países latino-americanos; na América do Sul, conta com Argentina, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai e Peru. A justificativa é combater o narcotráfico, mas a intenção seria conter a influência econômica/política da China (e Rússia), “constranger” as potências regionais Brasil e México, e isolar a Venezuela.
(Com: CNN; InterceptBrasil; Le Monde Diplomatique; Ipea et al.).
Foto: AFP. Infográfico: Revista Veja

