Final – Os liberticidas, a mentira industrializada e a destruição da democracia

Alienação e palavras vazias

Por: Rogério Baptistini, sociólogo e professor universitário

Há uma lógica por trás dessa obra liberticida. Ela não é apenas resultado da alienação, mas produto de uma construção que começa com a apologia de certas palavras vazias, tomadas como categorias explicativas absolutas, como, por exemplo: Deus, indivíduo, liberdade individual, empreendedorismo, sucesso, prosperidade, livramento (entendido como salvação individual, não como emancipação coletiva), entre outras. Com sua incorporação à linguagem, elas geram um imaginário que alimenta o desprezo aos demais, as frustrações pela condição econômica e social e o ressentimento. Afinal, tudo passa a ser da conta do sujeito, livre de estruturas e contexto. O mundo, enquanto construção social, se resume a algo dado e intangível à ação. Um cenário apenas.

Para os que buscam o lucro de forma insaciável, julgando que esta é a única coisa que importa, a liberdade democrática é uma barreira. Mas não se iludam os que consideram a revolução dos autodenominados evangélicos em curso como libertadora da mesma forma que foi a protestante, no passado. A atual é fruto da reação e conduz ao inferno, onde queimam todos os sonhos vãos. A Reforma Protestante, embora ambígua, questionou estruturas de poder; já o evangelicalismo contemporâneo é funcional ao status quo e à manutenção das desigualdades.

Diante disso, a tarefa dos que ainda creem na democracia é desmontar a mentira industrializada, resgatar a verdade como valor público e mostrar que a liberdade não é um cenário, mas uma conquista coletiva.