Quem quer governar precisa conhecer a conta antes
Aquele que se candidata a governar uma cidade precisa conhecer dívidas, compromissos e dificuldades antes da eleição — porque depois não adianta culpar apenas o passado

Quando alguém compra uma empresa, não escolhe apenas o patrimônio, os clientes e aquilo que dá lucro. Assume também as dívidas, os compromissos e os problemas deixados pelo caminho.
Na administração pública, guardadas as devidas proporções, não é diferente. Quem vence uma eleição não recebe apenas as chaves do gabinete, a faixa e o direito de governar. Recebe uma Prefeitura inteira, com seu ativo e seu passivo, suas obras, servidores, contratos, dívidas e obrigações.
E isso não deveria ser surpresa para ninguém.
Ainda assim, a história se repete. Entra governo, sai governo e a explicação para a falta de dinheiro quase sempre começa da mesma maneira: “Estamos pagando as dívidas deixadas pela gestão anterior”.
Pode ser verdade. Muitas vezes, certamente é.
Mas quem pretende governar uma cidade precisa saber onde está pisando.
Daqui a dois anos teremos novamente eleições municipais. Novos nomes poderão surgir, velhos conhecidos poderão voltar e promessas certamente ocuparão palanques, redes sociais e discursos.
Por isso, fica desde já um conselho aos futuros candidatos: antes de colocar o nome à disposição, procure conhecer profundamente a situação financeira do município. Veja quanto se arrecada, quanto se deve, quais contratos existem, quais compromissos precisam ser honrados e, principalmente, se você tem capacidade política, administrativa e técnica para enfrentar o problema.
Administrar não é apenas apontar os erros de quem veio antes. É encontrar soluções para aquilo que encontrou.
Herança ruim explica muita coisa, mas não pode explicar tudo durante quatro anos.
Quem se candidata precisa estar preparado para receber a Prefeitura como ela estiver — e não como gostaria que estivesse.
Porque depois da eleição, diante dos problemas sobre a mesa, não adianta reclamar da conta.
O leite já estará derramado.
E governar é justamente saber o que fazer depois disso.

