TRUMP QUER A GUERRA

Na 81.ª Assembleia Geral da ONU, Donald Trump voltou ao extremismo e ameaçou “aniquilar” o Irã; mas sinalizou a um “pacto diplomático” para depois das eleições de meio de mandato (midterms), que ocorrerão em novembro.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, apresentou, na ONU, proposta da reabertura do Estreito de Ormuz, recusada imediatamente por Trump, que disse que o Irã fez a oferta apenas porque “está perdendo feio” a guerra [nos bastidores]; o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que discursou na sequência, rebateu dizendo que o Irã é “vítima do terrorismo israelo-americano”, cujos ataques matam civis e crianças. (Fontes indicam que o Pentágono foi instruído a voltar a bombardear o Irã, após as eleições).

ISRAEL SE ISOLA; CHINA ENTRA NO JOGO

Delegações de 70 países (inclusive o Brasil) deixaram o Plenário quando o premiê israelense, Benjamim Netanyauh, subiu à tribuna – e importantes líderes não pouparam críticas ao sionista.

O presidente da França, Emmanuel Macron, classificou a crise em Gaza como “espetáculo que envergonha a todos”; o secretário-geral da ONU, o português António Guterres, denunciou que as ações israelitas “violam o Direito Internacional”; o líder turco, Recep Erdogan, acusou Israel de genocídio e de promover “limpeza étnica” em Gaza, que se tornou “o campo de concentração mais desumano do nosso tempo”. O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, chamou Netanyahu de “criminoso de guerra” e defendeu sua prisão pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).

Após a Assembleia Geral, Trump e o presidente da China, Xi Jinping, realizaram uma cúpula bilateral, em Washington. Em meio a  avanços comerciais, Xi propôs a Trump retomar o diálogo com Teerã, e ofereceu sua ajuda diplomática. Antes do encontro, o governo da China recebeu o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, demonstrando influência sobre o país persa; o líder chinês também havia incentivado a volta do Paquistão como mediador nas negociações de paz.

O embaixador americano em Pequim, David Perdue, já tinha “alertado formalmente” que os EUA consideram “totalmente inaceitável” qualquer apoio militar ou de inteligência da China ao Irã; o governo chinês garantiu não estar ajudando os iranianos (uma “meia-verdade”, há sinais de cooperação de imagens de satélites).

O desinteresse de Trump teria “irritado” Xi Jinping, mas o chinês mantém a tradicional postura serena e a narrativa de apoio à diplomacia. Contudo, analistas sugerem que o “desprezo” do presidente americano terá, como resposta, um maior engajamento das forças chinesas na guerra, ao lado do Irã.

A conferir.

(Com: Pepe Escobar; Brasil247; CNN e agências).