QUANDO A DÚVIDA VIRA ESTRATÉGIA ELEITORAL

Na reta final da campanha, uma investigação sem conclusão pode virar combustível para o velho jogo político de lançar suspeitas

Tem coisa na política que realmente incomoda. Uma delas é a facilidade com que, às vésperas de uma eleição, uma suspeita passa a ser apresentada quase como sentença.

O caso envolvendo o marido da candidata Flávia Lancha merece cautela. Houve uma operação da Polícia Federal, apreensão de cerca de R$ 200 mil em espécie, documentos e armas. Há investigação, mas do marido. E investigação não é condenação.

Flávia explicou que o dinheiro havia sido sacado para cumprir compromissos financeiros ligados às atividades empresariais e rurais da família. Para mim ou para você, R$ 200 mil podem parecer uma fortuna. Para quem atua no agronegócio, possui propriedades rurais, empresas e trabalha com exportação de café, a dimensão financeira é outra. O valor, por si só, não prova crime algum.

O mesmo vale para as armas. A candidata afirma que são devidamente registradas. Se estão legais, onde estaria o crime? Cabe às autoridades verificar tudo, naturalmente, mas também é preciso cuidado para não transformar uma apreensão em insinuação antes da apuração.

O que chama atenção é o momento. Faltam poucos dias para a eleição. E, na política, uma suspeita lançada agora pode causar estrago antes mesmo que a verdade consiga alcançá-la.

É isso que entristece na política.

Não se trata de impedir investigação. Investigue-se tudo. Se houver irregularidade, que seja comprovada e responsabilizada. Se não houver, que isso também seja divulgado com a mesma intensidade.

O problema é quando a suspeita parece ser usada como ferramenta eleitoral.

Nem é minha candidata. Mas injustiças desse tipo me incomodam.

Na política, muitas vezes a acusação corre. A verdade vem depois.

E, quando chega, talvez a eleição já tenha terminado.