PELA ORDEM, EXCELÊNCIA:

Peço a palavra. E o faço com a urgência de quem observa o plenário da nossa democracia ser invadido por uma turbulência sem precedentes neste segundo turno. Quando o advogado invoca o “pela ordem”, ele se levanta para contestar um fato, refutar um depoimento manipulado, escrutinar narrativas e exigir clareza diante do que se tenta impor ao julgamento público.

É exatamente esse comportamento crítico que o eleitor precisa adotar agora. Não se trata apenas de assistir passivamente ao velho desfile de jingles e blocos tradicionais das mídias. A disputa contemporânea mudou de patamar e ampliou suas frentes de ataque. De um lado, emissoras e linhas editoriais de caráter sensacionalista tensionam os fatos para inflamar a audiência; de outro, o ecossistema digital transborda com cortes descontextualizados, impulsionamentos mascarados e vídeos de ataque que transformam a desinformação em linha de montagem industrial.

E não há espera do horário nobre. Antes que qualquer programa oficial vá ao ar, a engrenagem dos memes, das peças geradas por inteligência artificial e das narrativas polarizadas já tomou conta das telas das TVs e dos celulares, dos programas de rádios, ditando humores e tentando sequestrar o raciocínio do cidadão. O marqueteiro escolhe a luz, o candidato lapida o sorriso para as câmeras e o algoritmo se encarrega de amplificar a inimizade e a caricatura.

Por isso, Excelência, faço este aparte solene: o desafio do eleitorado não é apenas consumir o que lhe empurram, mas refletir profundamente sobre o que assiste e o que ouve. O meme diverte e o vídeo rápido viraliza, mas nenhum deles substitui a sobriedade que o momento exige.

Assistir a tudo isso com o senso crítico sob rigorosa fiscalização é um dever cívico inegociável. O barulho das redes e o sensacionalismo das emissoras de rádio e televisão podem até tentar escolher os favoritos da nossa distração diária, mas, na hora de votar, a decisão é um ato soberano e intransferível.

Que façamos bom proveito do debate, com a lucidez necessária e o olhar firme no horizonte do país. Pela ordem, a palavra está com o eleitor.