O FEMINICÍDIO EXISTE, SIM!

Eduarda Campopiano conquista quase 2 milhões de votos e levanta uma pergunta inquietante: estamos elegendo legisladores ou celebridades das redes sociais?

A que ponto chegamos?

E, mais preocupante ainda, para onde estamos caminhando?

O resultado das eleições paulistas deixou uma pergunta que não pode ser ignorada: o que esperar de uma sociedade que transforma declarações lamentáveis em milhões de votos?

Eduarda Campopiano, aos 23 anos, conquistou quase 2 milhões de votos e tornou-se a deputada estadual mais votada de São Paulo. Um fenômeno eleitoral impulsionado pelas redes sociais.

Mas o que impressiona não é apenas a votação. É o discurso.

Uma jovem mulher que fez do antifeminismo sua bandeira e declarou, sem constrangimento: “Nenhuma mulher morre por ser mulher.”

Como assim?

Foto: de Cláudia Seixas Sociedade de Advogados

O Brasil enfrenta uma realidade assustadora de feminicídios. Mulheres assassinadas por companheiros, ex-maridos ou homens incapazes de aceitar sua liberdade. Famílias destruídas, crianças órfãs, vidas interrompidas.

E uma mulher, eleita para fazer leis, parece negar a própria existência dessa violência?

Não se trata de divergência ideológica. Trata-se de uma realidade registrada diariamente em delegacias, hospitais, tribunais e cemitérios.

O inquietante é descobrir que quase 2 milhões de eleitores decidiram entregar-lhe uma cadeira na Assembleia Legislativa.

Não questiono o direito de ninguém votar em quem desejar. Questiono os critérios que estamos utilizando para escolher quem fará nossas leis.

Talvez estejamos vivendo uma época em que a provocação vale mais que o conhecimento, a indignação rende mais que a competência e o número de seguidores pesa mais que a capacidade de legislar.

Os partidos já perceberam: fabricar celebridades digitais pode sair mais barato do que apresentar programas de governo.

O recado das urnas parece claro: estamos escolhendo legisladores pelo mesmo critério com que escolhemos quem seguir nas redes sociais.

E o futuro? Se confundirmos popularidade com preparo, talvez o problema não esteja apenas em quem elegemos, mas naquilo que deixamos de exigir de nossos representantes.