O REGIME DA ARÁBIA SAUDITA EM RISCO?

A Arábia Saudita é uma monarquia absolutista, comandada pela família Saud (daí o nome do país), desde 1932; a “Casa de Saud” (casa real) controla o Executivo o e Judiciário – não existe poder legislativo e nunca houve eleições.
Em 2017, Mohammed bin Salman (conhecido pela sigla MBS), destronou seu pai, o Rei Salman, perseguiu, prendeu e matou adversários (inclusive seus parentes), e se tornou ditador com plenos poderes. No entanto, MBS enfrenta críticas internas, que inclui religiosos do wahhabismo, a vertente ultraconservadora do islã. A economia do país é totalmente dependente do petróleo, não produz alimentos e sua indústria é precária – quase tudo é importado.

Em julho, o exército saudita atacou a pista do aeroporto de Sanaa, capital do Iêmen, impedindo o pouso de um avião civil, que vinha de Teerã, com passageiros que foram ao funeral do aiatolá Ali Khamenei, assassinado pelas forças israelo-americanas.

O grupo iemenita Ansar Allah (conhecido no Ocidente como Houthis), pró-Irã, retaliou com mísseis e drones contra infraestruturas sauditas, incluindo o principal aeroporto da capital Riad, matando 12 e ferindo 300 pessoas, além de assumir o controle do Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, impedindo a navegação de petroleiros. O príncipe herdeiro pediu a intervenção dos EUA, mas não a obteve.
Os sauditas e os Houthis intensificaram ataques e contra-ataques; o aeroporto de Riad sofreu novo bombardeio, sábado (10/10), 13 pessoas morreram, entre sauditas, americanos, sírios, egípcios, jordanianos, sudaneses e de Bangladesh. A crise decorrente dessa guerra particular expõe a fragilidade de MBS – sua capacidade passou a ser questionada. Isolado e sem perspectiva de vencer os Houthis, o regime de bin Salman pode estar à beira do colapso.
A ironia é que o atual conflito começou com EUA e Israel tentando promover uma “mudança de regime” no Irã; oito meses depois, a mudança pode ocorrer na Arábia Saudita, maior aliado dos EUA, enquanto Teerã segue sob o comando do aiatolá Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei.
Se MBS cair, analisas sugerem que haverá uma reação em cadeia, as frágeis monarquias do Bahrein, Emirados Árabes, Catar e Kuweit poderão ter o mesmo destino.
(Com: Pepe Escobar; Danny Haiphong; Pascal Lottaz e agências. Infográfico: BBC).

