Placas pretas em Taquaritinga: para representar ou escapar de multas?

Após denúncia envolvendo Vectra, fontes relatam mudança de placa; uso de identificação especial em veículos da Saúde também gera dúvidas

A utilização de placas pretas de representação em veículos da Prefeitura de Taquaritinga levanta uma pergunta: quem está autorizado a usá-las e com qual finalidade?

O assunto ganhou força após a denúncia do ex-vereador Júnior Previdelli sobre um Vectra oficial que teria sido utilizado por servidor comissionado para ir a uma barbearia no sábado (17). Na fotografia, o carro aparece com placa convencional. Agora, fontes relatam que, depois do episódio, o automóvel teria passado a ostentar uma placa especial com final 002. A suposta mudança ainda precisa ser confirmada.

Também há relatos de veículos vinculados à Saúde circulando com placas pretas identificadas pelo número 001. Seriam automóveis de representação de autoridades ou veículos destinados ao atendimento cotidiano da população?

O artigo 115 do Código de Trânsito Brasileiro e a Resolução 969/2022 do Contran reservam as placas especiais de representação a autoridades, entre elas prefeitos, presidentes de câmaras e secretários municipais. Carros operacionais não ganham esse direito apenas por pertencerem à frota pública.

E a pergunta inevitável: a placa preta evitaria multas? Não existe imunidade legal. Entretanto, como a identificação especial não segue o padrão alfanumérico convencional, pode dificultar a leitura automática por radares. Isso não impede a autuação por agentes de trânsito.

Há ainda outra questão. Decreto municipal assinado pelo prefeito Fúlvio Zuppani em 2013 exige autorização específica para circulação fora do expediente, com identificação do motorista, horário e justificativa. Existe registro da saída do Vectra naquele sábado?

Cabe à Prefeitura esclarecer se houve troca de placa, quem a autorizou, quais veículos usam as identificações 001 e 002 e quem efetivamente os conduz. A numeração, por si só, não comprova irregularidade. Transparência, porém, é obrigação da administração pública.

O Jornal Opinião mantém espaço aberto para esclarecimentos.