ENTREVISTA EXCLUSIVA COM O SECURITÁRIO E PROFESSOR ALESSANDRO PÉRSICO

O especialista fala do mercado de seguros e aponta sugestões de investimentos de pequeno porte

Alessandro Pérsico nasceu em São José do Rio Preto, em 1969, e se mudou, com a família, para Taquaritinga, nos anos 1970, quando seu saudoso pai, Osmar Pérsico, assumiu a gerência do Banco Auxiliar. Tornou-se taquaritinguense de coração e, a partir de 2016, de “direito”, recebeu o Título de Cidadão, da Câmara Municipal. Casado com a Silmara Prandi Pérsico, iniciou sua carreira profissional no sistema bancário, em São Paulo, no final dos anos 1980, e atua na área de seguros desde 1995; passou pelo Rio de Janeiro e Campinas, até se fixar em Ribeirão Preto. Formado em Marketing pela Universidade Moura Lacerda, com pós-graduação MBA pela Escola Nacional de Seguros (FUNESEG), da qual se tornou professor, nas matérias Mercado Financeiro e Teoria Geral de Seguros. É sócio-diretor da Genebra Assessoria Empresarial, em Ribeirão Preto.

Opinião: O que o consumidor precisa observar na hora de firmar um contrato de seguro?

Alessandro: É fundamental escolher um profissional capacitado, que saiba mensurar as necessidades do cliente, oferte opções e dê sugestões de coberturas que consigam proteger o patrimônio e a saúde física e financeira do segurado. No Brasil, a cultura do seguro ainda é pouco difundida, concentrada na carteira de automóvel, pois nós brasileiros amamos carros! Mas não podemos esquecer que existem outros tipos de seguros, tão ou mais importante que o de auto, por exemplo: seguro de vida; seguro saúde; residencial, empresarial e agrícola, de equipamentos leves e pesados; seguro de Responsabilidade Civil, dentre outros. A principal função do seguro é promover o equilíbrio econômico em situações inesperadas.

Opinião: O cidadão comum, de classe-média, pode ter acesso a investimentos financeiros, além da tradicional caderneta de poupança? O que sugere para aplicações de valores acessíveis?

Alessandro: Não só é possível como é totalmente viável. A tradicional “caderneta de poupança” vem perdendo espaço para outras aplicações financeiras; os números atuais demonstram que os saques da caderneta de poupança têm sido maiores que os depósito e a razão é simples: a poupança oferece rendimentos menores (juros menores) que outras opções no mercado, se tornando, portanto, menos atrativa. Mesmo para investidores mais conservadores, o mercado oferece opções mais atraentes, com rendimentos maiores e de baixo risco. Porém, é imprescindível que o investidor tenha ideia do que deseja. Perguntar-se: qual valor posso e quero investir, e por quanto tempo? É importante avaliar taxa de administração, riscos envolvidos, escolher entre investimentos de longo ou curto prazos – considerar somente a melhor taxa pode levar a um resultado diferente do esperado. Para quem não quer correr riscos, as aplicações em Títulos do Tesouro, CDB e Fundos DI são mais acessíveis. Aos ousados, que gostam de “fortes emoções”, há investimentos no mercado de capitais e bolsa de valores, que exigem atenção aos movimentos dos mercados nacional e internacional, flutuação cambial, acontecimentos políticos/sociais, fenômenos climáticos, guerras, enfim, tudo que possa mexer com o “humor do mercado”. Parafraseando o velho conselho da vovó: “Nunca coloque todos os ovos na mesma cesta”. Planejar-se, essa é a dica!

Opinião: Municípios do porte de Taquaritinga podem se valer do mercado financeiro para financiar o setor produtivo e fortalecer a economia local?

Alessandro: Diferentemente da União os municípios não podem emitir títulos da dívida pública, como faz o governo federal; mas podem e devem buscar maneiras de fortalecer a economia local – e minha amada Taquaritinga também pode fazer uso do mercado financeiro, através de parcerias público-privadas, recursos do BNDES, cooperativas de crédito etc. Há muitos municípios que se valem dessa prática para otimizar a estrutura econômica, fomentar oportunidades, estimular a produtividade, de acordo com a característica da cidade. É fundamental identificar, por meio de pesquisas e estudos, qual a vocação do município, quais oportunidades a cadeia produtiva pode criar, que atividade gera a maior parte da receita, como agregar valores aos produtos, o que é destaque na economia local. Daí, cabe ao gestor municipal disponibilizar novos investimentos, fortalecer operações já implementadas, dar suporte técnico e estrutural para criar um cenário favorável a novas oportunidades, acompanhar as ações em andamento e as advindas, num processo perene, continuo, de longo prazo. É preciso que o prefeito tenha vontade política e disponha de uma equipe técnica qualificada.

(Colaboração: Luís José Bassoli)