Ico Curti é homenageado com o Troféu Audálio Dantas 2026 por participação no projeto “Brasil: Nunca Mais”

Reconhecimento destaca contribuição para uma das mais importantes investigações sobre violações de direitos humanos durante a ditadura militar brasileira

O taquaritinguense Antônio Fernando Almeida Curti, o Ico Curti, recebeu na noite desta segunda-feira (8), o diploma do Prêmio Audálio Dantas – Indignação, Coragem e Esperança 2026, em cerimônia realizada na Sala Vladimir Herzog, no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo. A homenagem reconheceu a equipe responsável pelo histórico projeto “Brasil: Nunca Mais”, uma das mais importantes iniciativas de documentação das violações de direitos humanos ocorridas durante a ditadura militar brasileira.

Desenvolvido entre 1979 e 1985, o projeto reuniu jornalistas, religiosos, advogados e militantes em uma operação sigilosa que copiou e analisou centenas de processos da Justiça Militar. O objetivo era preservar documentos que poderiam ser destruídos antes da redemocratização do país. O trabalho resultou no livro-reportagem Brasil: Nunca Mais, coordenado por Dom Paulo Evaristo Arns, obra que se tornou referência na defesa da memória, da verdade e dos direitos humanos.

Em seu pronunciamento, Ico Curti destacou que o projeto representou uma verdadeira “declaração de paz”, criada para que o Brasil jamais voltasse a conviver com a tortura, a perseguição política e as injustiças do período autoritário. O taquaritinguense dedicou a homenagem à memória de Francisco Emanoel Penteado, o “Chiquinho”, jovem de Taquaritinga que foi torturado e morto durante a ditadura militar, retratado por Luís José Bassoli, no livro “Cadê Aquele Menino Lindo”.

Ao receber o diploma, Ico Curti reafirmou o compromisso de manter viva a memória daqueles que lutaram pela democracia. Para ele, recordar o passado é uma forma de garantir que episódios de violência, autoritarismo e supressão de direitos nunca mais se repitam no Brasil.