Mesmo com atraso nos repasses, contrato médico da UPA é prorrogado

Prefeitura mantém contratação emergencial sem licitação até o fim de 2026

A renovação do contrato entre a Prefeitura de Taquaritinga e a empresa MG Prestadora de Serviços Ltda., responsável pelo fornecimento de mão de obra médica à Secretaria Municipal de Saúde e à UPA 24 horas, merece uma reflexão séria por parte da administração pública e da sociedade.

O contrato nasceu em caráter emergencial, por dispensa de licitação, com validade inicial de seis meses. Em novembro de 2025, foi prorrogado até abril de 2026. Agora, mais uma vez, recebe novo aditivo, válido por mais seis meses a partir de 17 de maio de 2026, mantendo o valor de R$ 4.875.300,00. Ou seja: o que deveria ser excepcional vai se prolongando até novembro de 2026.

A pergunta é inevitável: se houve tempo suficiente entre a contratação emergencial, a primeira prorrogação e a nova renovação, por que não foi realizada uma licitação regular, nos moldes da nova Lei de Licitações? A dispensa existe para situações urgentes e imprevisíveis, não para substituir o planejamento administrativo.

O caso se torna ainda mais preocupante diante das informações de que a própria empresa estaria sofrendo pressão da equipe médica por atraso no pagamento dos salários, justamente por falta de repasses da Prefeitura. Há relatos de pendências desde abril. Mesmo assim, o contrato foi renovado por mais seis meses, como se nada estivesse acontecendo.

A saúde pública não pode viver de improvisos sucessivos. Médicos precisam receber em dia, pacientes precisam de atendimento contínuo e a população tem o direito de saber como quase R$ 5 milhões estão sendo aplicados.

Quando a exceção se repete, deixa de parecer emergência e passa a revelar falta de planejamento. A Prefeitura deve explicações claras: por que não licitou, quanto deve, quando vai pagar e quais garantias existem de que o atendimento não será prejudicado.

Em saúde, transparência também salva vidas.