Uma cidade não vive apenas de memória

O passado orgulha, mas o presente exige decisões firmes para que Taquaritinga tenha futuro

A cidade é a nossa casa expandida. Tem ruas que são como corredores da memória, praças que parecem salas de visita, esquinas onde a vida passa devagar e fachadas que contam histórias de um tempo em que o comércio pulsava com mais força.

Dias atrás, andando pelo centro, veio a sensação incômoda de que algo se perdeu. As casas continuam ali, os prédios também, algumas pessoas circulam, mas há no ar um certo cansaço. O comércio pena. A cidade parece carregar um peso maior do que suas ruas conseguem suportar.

Taquaritinga se prepara para completar 134 anos de emancipação político-administrativa. É uma idade bonita, respeitável, digna de festa. Mas aniversário também é tempo de balanço. E, olhando com sinceridade, é impossível não perguntar: por que parece que nunca saímos do buraco?

Entra prefeito, sai prefeito, e os problemas permanecem. Às vezes mudam de nome, de rosto, de discurso, mas continuam ali, rondando a vida pública como dívida antiga que ninguém consegue pagar. A crise financeira virou rotina. E quando a crise vira rotina, corre-se o risco de aceitá-la como destino.

Mas cidade nenhuma pode se conformar com o abandono, com o improviso, com a falta de rumo. Se a casa está em desordem, alguém precisa ter coragem de arrumá-la. E arrumar, muitas vezes, dói. Exige austeridade. Exige cortar na própria carne. Exige dizer não a companheiros, rever cargos, reduzir despesas, acabar com excessos e priorizar o essencial: folha de pagamento, aposentados, saúde e educação.

Não se administra uma cidade apenas com promessas, nem com discursos de ocasião. É preciso transparência. É preciso que o gestor venha a público, explique a real situação e apresente caminhos, ainda que amargos. O silêncio, em tempos difíceis, apenas aumenta a desconfiança.

Cuidar da cidade é dever de todos. Mas quem administra precisa dar o exemplo. Porque Taquaritinga não é apenas um ponto no mapa. É lar, memória, afeto e futuro. E uma casa, quando começa a ruir, não pede maquiagem: pede responsabilidade.