Até quando o cerol continuará matando?

A morte de Fábio Colombo escancara o perigo das linhas cortantes e reforça a necessidade de fiscalização e punição dos responsáveis

A morte do taquaritinguense Fábio José Colombo, de 49 anos, atingido por uma linha com cerol enquanto pilotava sua motocicleta na tarde deste domingo (12), entre Santa Adélia e Fernando Prestes, trouxe novamente à tona um problema antigo que continua fazendo vítimas em todo o Brasil.

Embora muitos ainda tratem o uso de cerol e da chamada linha chilena como uma simples brincadeira, a legislação brasileira é rigorosa. Se ficar comprovado que a linha utilizada causou a morte do motociclista, o responsável poderá responder por homicídio culposo ou até por homicídio com dolo eventual, quando se entende que assumiu o risco de produzir o resultado. Nesse caso, a pena pode variar de 6 a 20 anos de reclusão, além de julgamento pelo Tribunal do Júri.

No Estado de São Paulo, a Lei Estadual nº 17.201/2019 proíbe o uso, a posse, a fabricação e a comercialização de linhas cortantes, como o cerol e a linha chilena. A legislação também prevê multas para pessoas físicas e punições severas para estabelecimentos que comercializam esse tipo de material.

As estatísticas mostram que o problema permanece grave. Dados da Associação Brasileira de Motociclistas (ABRAM) apontam mais de 100 acidentes por ano e mais de 50 óbitos em determinados períodos. Somente no Estado de São Paulo, um levantamento contabilizou mais de 4 mil atendimentos médicos a motociclistas vítimas desse tipo de ocorrência em poucos meses. Em alta velocidade, o cerol e a linha chilena funcionam como verdadeiras lâminas, podendo provocar cortes profundos, principalmente na região do pescoço, muitas vezes com consequências fatais.

É preciso que as forças de segurança intensifiquem a fiscalização, que o comércio clandestino seja combatido, pois, soltar pipa com linha cortante não é uma brincadeira. Quantas vidas ainda precisarão ser interrompidas para que esse problema seja tratado com a seriedade que merece?