Copa do Mundo e a Geopolítica
A frase “nunca é só futebol” mostra a conexão com temas políticos e sociais, através dos tempos

O ditador Benito Mussolini interferiu na Copa do Mundo de 1934, na Itália, para garantir o título e exaltar o regime fascista, e explorou o bicampeonato, em 1938, na França. Em 1978, na Argentina, o regime militar intimidou adversários e árbitros, para vencer e fazer propaganda.

Com a 2.ª Guerra, não houve copas em 1942 e 1946, o fator geopolítico trouxe a Copa de 1950 ao Brasil; a FIFA passou a intercalar as sedes entre Europa e América. As tendências geopolíticas do séc. 21 levaram as copas à Ásia, África, Rússia, Oriente Médio; em 2030, a três países, de dois continentes (Marrocos, Espanha e Portugal).

O uso da Copa para fins negativos foi restrito ao fascismo e à ditadura argentina. Em 1974, em plena Guerra Fria, a anfitriã Alemanha Ocidental enfrentou a Alemanha Oriental, sem tensão. Em 1986, no México, Argentina e Inglaterra se enfrentaram, quatro anos após a Guerra das Malvinas, num clima pacífico. Em 1990, na Itália, a campeã Alemanha celebrou a reunificação do país. Na França, 1998, EUA e Irã protagonizaram “O Jogo da Paz”, os iranianos entregaram flores aos americanos e posaram juntos para a foto. E os EUA enfrentaram a Iugoslávia, enquanto a OTAN atacava os Bálcãs, sem entrevero. 2002 realçou o sucesso da aproximação de Coreia do Sul e Japão, cuja relação era historicamente tensa. Em 2010, a África do Sul superou o Apartheid, com Mandela nos estádios. As tensões entre Rússia e Ocidente não respingaram na Copa de 2018; em 2022, com o Oriente Médio em chamas, o Catar realizou a primeira Copa da região.
A atitude de Trump de constranger as equipes de Irã e Iraque, expulsar o árbitro somali, revogar o cartão vermelho do jogador dos EUA, só mostrou sua megalomania e a sabujice da FIFA.
A próxima Copa terá novo desafio – dois países-sedes, Espanha e Marrocos, têm histórico de tensão imigratória, na fronteira Europa-África.

