QUANDO A DEMISSÃO PARECE RECADO
Desligamento de pai e filha no mesmo dia exige explicações claras da administração municipal

Há coincidências que parecem cuidadosamente planejadas. Pai e filha, ambos médicos, foram desligados no mesmo dia. Dois profissionais, duas histórias de dedicação e uma única decisão capaz de atingir toda uma família.
Oficialmente, pode ser apenas um ato administrativo. Mas, aos olhos da população, a pergunta é inevitável: por que os dois ao mesmo tempo?
Quando decisões públicas atingem integrantes da mesma família, especialmente profissionais com anos de serviços prestados, não basta simplesmente comunicar o desligamento. É preciso apresentar motivos claros, critérios objetivos e justificativas capazes de afastar qualquer suspeita de perseguição pessoal ou política.
A administração pública não pertence a um prefeito, a um secretário ou a um grupo político. Ela pertence à sociedade. Por isso, seus atos devem respeitar a legalidade, a impessoalidade, a moralidade e, acima de tudo, a dignidade humana.
Demitir já é uma decisão dura. Fazer isso com pai e filha no mesmo dia, sem diálogo adequado e de maneira considerada desrespeitosa pelos envolvidos, transforma um procedimento administrativo em um episódio carregado de simbolismo. Parece um recado. E, quando um ato público parece um recado, cabe ao poder público explicar quem seria o destinatário e qual seria a verdadeira mensagem.
Não se pode afirmar, sem provas, que houve retaliação. Mas também não se pode exigir silêncio diante de uma situação tão incomum. Questionar não é acusar. Questionar é exercer cidadania.
Caso existam motivações políticas, pessoais ou discriminatórias, caberá à Justiça apurar eventual abuso de poder e reparar os prejuízos causados. Enquanto isso, permanece uma pergunta incômoda, que nenhuma nota burocrática conseguirá apagar:
Foi coincidência — ou alguém decidiu que era hora de punir uma família inteira?

