O lixo que pesa no bolso
Com contrato milionário, servidores disponíveis e custo elevado da terceirização, fica a pergunta: por que a coleta não volta a ser feita pela própria Prefeitura?
Tem coisas que realmente são difíceis de entender. Durante décadas, a coleta de lixo foi realizada com caminhões da Prefeitura e por servidores públicos. O serviço funcionava, o lixo era recolhido e o município mantinha o controle direto de uma atividade essencial.

Na gestão anterior, porém, a coleta foi terceirizada. Desde então, salvo engano, pelo menos duas empresas já passaram pelo serviço. O contrato atual, firmado por aproximadamente R$ 14,9 milhões pelo período de 60 meses, representa um custo mensal próximo de R$ 248 mil e deverá permanecer em vigor até 2030.
É aí que a conta começa a incomodar. Um caminhão compactador novo pode custar entre R$ 400 mil e R$ 700 mil. Considerando o valor mais alto, a Prefeitura gasta com a terceirização, a cada três meses, praticamente o suficiente para adquirir um veículo próprio.
Além disso, segundo informações disponíveis no Portal da Transparência, o município conta com 27 servidores no cargo de coletor de lixo. Ou seja, há mão de obra pública disponível e, aparentemente, o que faltaria seria uma frota adequada e uma organização administrativa capaz de retomar o serviço.
Numa estimativa simples, caso a coleta fosse realizada com servidores e caminhões municipais, a economia poderia chegar perto de R$ 2 milhões por ano. Evidentemente, existem gastos com combustível, manutenção, equipamentos de proteção e reposição de veículos. Ainda assim, a diferença merece ser estudada com seriedade.
Terceirizar não pode ser apenas uma forma mais fácil de administrar. É preciso demonstrar que também é a alternativa mais econômica e eficiente. Afinal, quando o dinheiro é público, cada contrato deve ser explicado até o último centavo.
Se a Prefeitura tem servidores, pode comprar caminhões e economizar milhões, a pergunta é inevitável: por que continuar pagando tão caro para alguém fazer aquilo que o município sempre fez?

