João Perroni: uma vida dedicada à arte, à cultura e à liberdade
Por: Luís José Bassoli – advogado, professor e jornalista
João Luiz Perroni nasceu em Jurupema, em 1950, mudou-se para São Paulo nos anos 1970, onde geriu, com sucesso, os emblemáticos BEBERICANTO e SERENÔ, bares/espaços culturais, frequentados por políticos, intelectuais, artistas, jornalistas, estudantes, trabalhadores, casais.


João era um artista multifacetado, poeta, escritor, compositor, desenhista, músico. Em 1982, juntou-se aos amigos Mineiro, Mário Carvalho e Nico Rezende para gravar o LP “Conviver”, considerado pela crítica um trabalho de altíssima qualidade. Voltou à Taquaritinga em 1984 e fundou a CHOPPERIFERIA BAR, dos mais tradicionais da cidade, que funcionou por quase 30 anos.
De personalidade forte, foi militante político de esquerda (ajudou a fundar o diretório municipal do PT) e ecologista convicto. Apaixonado pela arte, fez da Chopperiferia um espaço para artistas da cidade e região exporem livros, músicas, fotografias, pinturas, vídeos etc. João foi retratado em um quadro do pintor Washington Maguetas, que ficou exposto no seu estabelecimento.
Da convivência com atores, artistas plásticos, jornalistas, intelectuais e músicos, no Serenô, veio a inspiração para seu primeiro texto musical-teatral, “O catador de papéis”, apresentado no Tuquinha, o teatro da PUC/SP. Anos depois, mudou-se ao Bebericanto, levando junto toda a clientela de artistas e intelectuais e angariando outras personalidades, o que proporcionou a gravação do LP Conviver no estúdio de Rogério Duprat, dos principais maestros do Tropicalismo, cujas músicas foram tocadas nas rádios USP FM, Eldorado, Cultura etc. Neste clima, escreveu o texto-musical-teatral “Independente ou morte”, apresentado no auditório “Cidade de São Paulo”, por duas semanas de casa lotada.
Após encerrar as atividades da Chopperiferia, abriu seu pequeno bar, que denominou de QUATRO (em referência ao número de pessoas que cabiam no local), na sua residência, na rua Tiradentes, onde seguiu escrevendo poesias, poemas, textos e canções.
João faleceu neste domingo (26/7), deixou os filhos João Terra e Marceu, frutos de sua união com a psicóloga Noeli Carvas, a companheira Marilza Sanches, cuidadora de idosos, inúmeros amigos e uma inestimável obra artística.

