TRUMP AMEAÇA A DEMOCRACIA?

Os EUA ostentam, com orgulho, o “título” de mais sólida democracia do planeta, pois nunca sofreu nenhum golpe de Estado. Mas isso está em xeque: Donald Trump dá sinais de que tentará se manter no poder, apesar de a lei impedir um terceiro mandato.

Em novembro, haverá a eleição de meio de mandato (midterm election), que renovará todos os deputados federais, um terço dos senadores, e 36 dos 50 governadores. Pesquisas sugerem que o partido Republicano (de Trump) perderá a maioria na Câmara e, possivelmente, também no Senado – se isso acontecer, Trump estará em maus lençóis, inclusive com possibilidade de impeachment.

Por isso, estaria tramando estratégias: não reconhecer o resultado das urnas; depois, contestar judicialmente; e, no limite, intervir nos estados em que foi derrotado. Daí, insuflaria algo como o ataque ao Capitólio de 2021, para “justificar” a aplicação da Lei de Insurreição, que autoriza usar militares para proteger instalações e conter distúrbios. A princípio, com a Guarda Nacional, mas também com o ICE (Serviço de Imigração, na prática, uma “organização paramilitar” subordinada a Trump) – e dar “ares de legalidade” ao golpe.
A ESTRATÉGIA DO PARTIDO DEMOCRATA

Os líderes articulam os contrapesos: criar barreiras legislativas; mobilizar o Judiciário; promover investigações; implementar redes de proteção aos eleitores; barrar pautas no Congresso; monitorar discursos antidemocráticos. Por último, propalariam debates sobre a 25.ª Emenda Constitucional, que trata do caso de o presidente “não ter condições de exercer o cargo”. Hoje, só o vice-presidente e a maioria do gabinete (secretários de Estado, Defesa, Tesouro, Procurador-Geral, entre outros) podem invocar a Emenda; a proposta seria estender esse poder aos parlamentares.
Os EUA estão em crise institucional, criada e exacerbada por Trump, que já é tido como autocrata. Resta esperar pela reação do povo norte-americano, historicamente defensor da Democracia.
(Com: CNN; Gisele Agnelli; Brasil247 et al.)

