Como a gente se engana ao julgar pela aparência

Às vezes, basta conhecer alguém um pouco melhor para descobrir que, por trás de uma expressão séria, existe uma pessoa extraordinária

Quantas vezes olhamos para alguém e, sem trocar meia dúzia de palavras, já tiramos nossas conclusões? Se é sério, é bravo. Se fala pouco, é antipático. Se não vive distribuindo sorrisos, pronto: ganhou fama de chato.

Eu também cometo esse erro.

Durante muito tempo, uma pessoa me passava exatamente essa impressão. Sempre sério, semblante fechado, daqueles em que é difícil arrancar um sorriso. Eu olhava e pensava: “Esse aí deve ser bravo”. Ledo engano.

Estou falando de José Airton Júnior, ou simplesmente Juninho para os íntimos. Hoje, tenho o privilégio de ser seu aluno nas disciplinas de Direito Processual Civil e Estágio Supervisionado.

E foi dentro da sala de aula que a carranca perdeu a causa por absoluta falta de provas.

Descobri uma pessoa extremamente educada, respeitosa e humilde. E um professor com conhecimento muito acima da curva. Suas aulas são daquelas em que a gente aprende sem perceber o tempo passar. Não existe aquela vontade de olhar para o relógio esperando a hora de ir embora. Pelo contrário: dá prazer ficar na sala, ouvir, perguntar e aprender.

Por trás daquele semblante sério existe alguém muito especial. E ainda por cima, Juninho é músico, guitarrista de mão cheia. Professor de Direito e guitarrista — definitivamente, a aparência não entregava o conteúdo completo.

Essa convivência me ensinou algo que, embora a gente saiba, frequentemente esquece: não devemos julgar um livro pela capa — muito menos uma pessoa pela carranca.

Ainda bem que Deus colocou Juninho no meu caminho. Caso contrário, talvez eu passasse o resto da vida carregando uma impressão completamente equivocada sobre alguém que hoje admiro e respeito.

No fim das contas, o problema nunca esteve na carranca dele.

Estava no meu pré-julgamento.