BACK-CHANNEL E FALSA BANDEIRA

O termo back-channel (canal secreto) se refere às negociações que ocorrem antes ou durante acordos entre nações, que propiciam aos líderes testarem a boa-fé de cada parte, e manterem uma versão pública, enquanto negociam em sigilo.

A expressão falsa bandeira (false flag) surgiu no século 16, navios piratas usavam bandeira de um país amigo para se aproximar de outros navios; hoje, descreve ataques feitos por um país para parecer que foram feitos por outro e justificar a guerra.
Em 1979, o back-channel foi usado pelo presidente Ronald Reagan e o Aiatolá Khomeini, na crise dos reféns em Teerã; em 1954, Israel protagonizou uma emblemática operação de falsa bandeira no Egito, o Caso Lavon, organizada pelo Mossad, que recrutou judeus egípcios para plantar bombas em alvos civis (cinemas, escolas) e culpar a Irmandade Muçulmana, desmantelada pelas autoridades egípcias. Israel é acusado de recorrer a esse mecanismo com frequência.


Os termos apareceram, dias atrás, envolvendo EUA, Irã, Paquistão, Israel e Emirados Árabes. Trump possui um canal secreto com Ahmad Vahidi, Comandante da Guarda Revolucionária Iraniana. Com o fracasso das negociações intermediadas pelo Paquistão, Trump rogou ao marechal paquistanês, Syed Munir, para reabrir as conversas secretas – ouviu um “não”, Islamabad disse que só atuaria publicamente pela paz. Trump, então, recorreu ao presidente do Curdistão Iraquiano, Nechirvan Barzani, para fazer o contato – ainda sem resultado.
Os Emirados Árabes disseram ter detectado dois mísseis balísticos, que caíram em suas águas, “lançados do Irã”. Acontece que Teerã nunca escondeu seus ataques; tudo aponta a mais uma falsa bandeira de Israel.

Trump quer encerrar a guerra, de modo que não lhe seja humilhante, com vistas às eleições de novembro.
Netanyauh quer manter a guerra, com vistas a ser reeleito e escapar da prisão.
(Com: Pepe Escobar; Danny Haiphong et al.).

